Uma poderosa enxurrada, possivelmente desencadeada por uma avalanche de gelo, atingiu a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete, resultando em uma devastadora tragédia. O desastre causou a morte de pelo menos 157 pessoas, sendo 154 no Nepal e três no Tibete, e deixou centenas de desaparecidos.
A área afetada é um destino popular para turistas e peregrinos que buscam locais sagrados e trilhas. A força da água barrenta destruiu pontes, vilarejos e deixou um cenário de destruição chocante. As equipes de emergência trabalham incansavelmente nas buscas por sobreviventes em meio a condições adversas.
A causa exata do desastre ainda está sob investigação, mas a hipótese mais forte é que um deslizamento de terra ou uma avalanche de gelo tenha provocado a súbita liberação de um grande volume de água, gerando a enxurrada. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a onda de água atingiu a passagem de fronteira de Gyirong, forçando pessoas a correrem para escapar.
Conforme informação divulgada pela polícia do Nepal, o número de mortos subiu para 157. A tragédia também resultou em centenas de desaparecidos, incluindo mais de 500 turistas. Entre os estrangeiros desaparecidos, há 133 indianos, 54 americanos e 33 britânicos. Mais de 100 nepaleses também estão desaparecidos. Até o momento, não há registro de brasileiros entre as vítimas, segundo o Itamaraty.
A dimensão da tragédia se estende à angústia das famílias que buscam por seus entes queridos. Relatos de sobreviventes descrevem momentos de terror, com a força da água arrastando tudo em seu caminho. Um guia local, Sonam Dorjee, relatou à BBC que sua casa desabou e sua irmã está desaparecida, descrevendo a inundação como “repentina e devastadora”.
Gerentes de empresas de turismo receberam milhares de ligações de familiares de turistas desaparecidos. Kumar Adhikari, responsável por uma excursão com 12 britânicos desaparecidos, expressou sua dor e incerteza, afirmando que os telefones dos guias ficaram sem conexão após o incidente. Ele descreveu a situação como um sofrimento intenso.
O Nepal é um destino mundialmente famoso para montanhistas, praticantes de trilhas e peregrinos de diversas religiões. A região da fronteira com o Tibete, especialmente a área próxima ao Monte Kailash, atrai milhares de visitantes anualmente. Esta época do ano é considerada movimentada para visitas a locais sagrados como o Monte Kailash, localizado no Tibete.
A passagem de fronteira de Gyirong, um ponto crucial para o trânsito de peregrinos entre Nepal e Tibete, foi severamente atingida pela enxurrada. Centenas desses peregrinos, muitos deles indianos, estão entre os desaparecidos. A infraestrutura local, incluindo pontes e estradas, foi destruída, dificultando os esforços de resgate.
As operações de busca e resgate estão em pleno andamento, com o envolvimento de militares, equipes de terra, cães farejadores e drones. O governo do Nepal mobilizou mais de 1.600 militares, com outros mantidos de prontidão. Helicópteros militares e civis estão auxiliando no resgate de pessoas isoladas e na entrega de suprimentos.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou suprimentos médicos essenciais de emergência ao Nepal para auxiliar na resposta à crise. A Índia também demonstrou solidariedade, enviando 10 toneladas de ajuda humanitária ao país vizinho. O governo indiano expressou seus pêsames e afirmou estar ao lado do Nepal neste momento desafiador.
Inicialmente, especulou-se que um terremoto pudesse ter sido a causa do desastre. No entanto, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou que uma análise mais detalhada das ondas sísmicas indica que a energia foi gerada por um deslizamento de terra, e não por um terremoto. A magnitude inicial registrada foi de 4,4.
Especialistas investigam a possibilidade de uma avalanche de gelo ter desencadeado o deslizamento. A queda de um grande bloco de gelo de uma montanha no lado tibetano, arrastando rochas e sedimentos, pode ter formado uma barragem temporária no rio, que posteriormente rompeu-se, causando a enxurrada. As mudanças climáticas e o derretimento acelerado das geleiras na região do Himalaia são fatores que podem ter contribuído para a instabilidade.