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Dolly Parton, a Voz Inesquecível da Música Country, nos Deixa aos 80 Anos

A música country perde uma de suas maiores estrelas. Dolly Parton, a icônica cantora e compositora que encantou gerações com suas histórias sinceras e melodias marcantes, faleceu nesta terça-feira (25/8), aos 80 anos. A notícia, divulgada pela família, encerra um capítulo glorioso de sete décadas dedicadas à arte.

Conhecida por sucessos como “Coat of Many Colors”, “Jolene” e “I Will Always Love You”, Dolly Parton não foi apenas uma artista, mas uma força da natureza. Sua carreira, que se estendeu por mais de 60 anos, é marcada por dez prêmios Grammy, mais de 100 milhões de discos vendidos mundialmente e um acervo de mais de 3 mil canções compostas.

Dolly considerava a composição sua forma de expressão e sua terapia, um talento que a levou a se tornar uma empresária astuta e uma figura influente no mundo do entretenimento. Sua inteligência rápida e seu charme sulista a ajudaram a navegar e dominar a indústria, conforme divulgado em matéria da BBC News.

Origens Humildes nas Montanhas do Tennessee

Nascida em 1946, Dolly Rebecca Parton veio ao mundo em uma cabana de um cômodo nas montanhas Great Smoky, no Tennessee. A quarta de 12 filhos de uma família de agricultores pobres, sua infância foi moldada pela música. Sua mãe, Avie Lee, cantava canções folclóricas constantemente, e sua tia tocava violão e compunha, criando um ambiente propício para o florescer de seu talento musical desde cedo.

Aos seis anos, Dolly já cantava na igreja local, onde seu avô era pastor. Na adolescência, seu talento a levou a apresentações em uma emissora de televisão regional. Um marco em sua juventude foi sua aparição no Grand Ole Opry em 1959, aos 13 anos, acompanhada pelo tio Bill Owens, onde foi apresentada por Johnny Cash e recebeu três pedidos de bis, sinalizando o início de uma trajetória estelar.

A “Vadia da Cidade” e a Construção de uma Imagem Icônica

Durante sua adolescência, Dolly Parton se inspirou em uma figura local conhecida como a “vadia da cidade”. A mulher, com seu esmalte vermelho-vivo, blusas decotadas e saltos altos, era vista pela jovem Dolly como um símbolo de beleza e ousadia. Quando criticada, Dolly respondia com determinação, afirmando que seria aquilo que seria quando crescesse.

Sua imagem pública, marcada por figurinos chamativos e uma persona exuberante, era, na verdade, uma armadura e um disfarce inteligente. Parton sabia usar seu visual para chamar atenção e antecipar críticas, respondendo com humor e firmeza a qualquer sugestão de que deveria ser mais contida. “Vá para o inferno”, era sua resposta pronta.

O Amor, a Parceria com Porter Wagoner e a Ascensão Solo

Após concluir o ensino médio em 1964, Dolly mudou-se para Nashville, onde, logo no primeiro dia, conheceu Carl Dean, seu futuro marido. Casaram-se dois anos depois, em uma união que durou até a morte dele em 2025. Em Nashville, seu talento chamou a atenção de Porter Wagoner, que a convidou para seu programa de TV.

Por sete anos, Dolly e Porter formaram uma das duplas mais populares da música country, lançando duetos que levavam muitos fãs a crer que eram um casal. No entanto, a relação nos bastidores tornou-se tensa à medida que a carreira solo de Dolly ganhava força. Wagoner via o sucesso dela fora do programa como uma “ameaça”, segundo o livro “Star of the Show: My Life on Stage” de Parton.

De “Coat of Many Colors” a “I Will Always Love You”: Canções que Marcaram Épocas

Em 1969, durante uma viagem de ônibus com Wagoner, Dolly compôs “Coat of Many Colors”, uma canção emocionante sobre sua infância humilde, mas rica em amor. A letra foi rabiscada em um recibo de lavanderia e, anos depois, a revista Rolling Stone a classificou como a segunda melhor música de sua carreira. A canção inspirou livros infantis e um filme de TV.

Apesar de não saber ler partituras, Dolly tocava diversos instrumentos, como banjo, harpa, piano e saxofone. Seu primeiro sucesso a alcançar o topo das paradas foi “Joshua” em 1971. Em 1974, ela deixou o programa de Porter Wagoner para focar em sua carreira solo. Para se despedir, escreveu “I Will Always Love You”, uma balada que se tornaria um hino mundial.

A versão de Whitney Houston para “I Will Always Love You” em 1992 transformou a música em um clássico absoluto, um momento que Dolly Parton descreveu como um dos mais emocionantes de sua vida, a ponto de precisar parar o carro ao ouvi-la pela primeira vez. Outro grande sucesso de 1974 foi “Jolene”, uma súplica de vulnerabilidade e angústia, que também foi regravada por diversos artistas renomados.

“9 to 5”: O Hino de Empoderamento Feminino

A música-tema do filme “Como Eliminar seu Chefe” (9 to 5), de 1980, impulsionou Dolly Parton ao estrelato definitivo. A atriz Jane Fonda propôs a Parton que ela compusesse a música-tema em troca de sua participação no filme. Inspirada pelo som de suas unhas de acrílico batendo, que lembrava uma máquina de escrever, Dolly compôs o icônico hino durante as filmagens.

O filme foi um sucesso de bilheteria, e a música recebeu diversos prêmios, incluindo um Globo de Ouro. “Das 9 às 5” se tornou um verdadeiro hino de empoderamento feminino, refletindo a luta e a determinação das mulheres no ambiente de trabalho.

Empreendedora Visionária e Filantropa Dedicada

Dolly Parton era uma empresária perspicaz. Em 2022, foi reconhecida pela Forbes como uma das mulheres mais ricas dos Estados Unidos que construíram suas próprias fortunas. Sua aparência, muitas vezes subestimada, era uma fachada inteligente para encarnar o estereótipo da “loira burra”, enquanto ela, na verdade, orquestrava seus negócios com maestria.

Ela era dona de sua própria gravadora, a Dolly Records, e coproprietária da The Dollywood Company, que administra parques temáticos, aquáticos e resorts. Em 1986, inaugurou o parque Dollywood, um refúgio nas montanhas que amava, que abriga o maior santuário do mundo dedicado a águias-carecas, contribuindo significativamente para a recuperação da espécie.

Apesar de sua riqueza, Dolly nunca esqueceu suas raízes. Inspirada por seu pai, que não sabia ler nem escrever, criou a Imagination Library em 1999, um programa que distribui livros gratuitamente para crianças, expandindo-se globalmente e entregando milhões de livros anualmente. Sua fundação, Dollywood Foundation, apoia bolsas de estudo, hospitais e vítimas de desastres.

Em 2020, Dolly Parton doou US$ 1 milhão ao Vanderbilt University Medical Center, auxiliando no desenvolvimento da vacina da Moderna contra a COVID-19. Nos últimos anos, enfrentou desafios de saúde, adiando shows para tratamentos, mas sempre com seu humor característico.

Dolly Parton será lembrada como uma pioneira da música country, uma artista que combinou talento, inteligência e um coração generoso. Sua legacy transcende a música, inspirando milhões com sua resiliência, sua visão de negócios e seu compromisso com a filantropia. Ela nos deixa um legado de canções atemporais e um exemplo de como seguir seus sonhos com autenticidade e paixão.

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