A relação entre Brasil e Estados Unidos sofreu um novo e grave abalo. O governo de Donald Trump decidiu revogar o visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em uma medida que intensifica a crise diplomática entre as duas nações.
A decisão americana, confirmada por fontes do governo dos EUA, é vista como uma retaliação direta à postura do Itamaraty em relação à indicação de Daniel Perez para chefiar a embaixada americana em Brasília e à recusa de vistos para outros diplomatas dos EUA.
A escalada na tensão diplomática levanta preocupações sobre o futuro das relações bilaterais e o impacto nas negociações e cooperação entre os dois países. Acompanhe os detalhes deste desenrolar.
A revogação do visto da embaixadora Viotti foi uma resposta direta à demora na concessão do agrément para Daniel Perez, indicado por Trump para ser o novo embaixador dos EUA no Brasil. Perez, um político republicano e aliado de Trump, aguarda aprovação do Senado americano para assumir o posto.
Além da questão de Perez, o Itamaraty também recusou vistos para Riley Barnes e Samuel Samson, funcionários do Departamento de Estado dos EUA. A negativa ocorreu após o jornal The Washington Post publicar uma reportagem que sugeria que a visita desses diplomatas ao Brasil poderia ser usada para questionar a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Daniel Perez, de 38 anos, foi indicado por Donald Trump em 1º de junho para liderar a embaixada americana em Brasília. Ele é presidente da Câmara dos Representantes da Flórida, cargo equivalente a uma Assembleia Legislativa no Brasil, e membro do Partido Republicano.
Filho de imigrantes cubanos, Perez nasceu em Nova York e se mudou para a Flórida em 1993. Advogado, ele tem como foco de sua atuação parlamentar temas como bem-estar infantil, saúde, educação e integridade eleitoral.
Em suas redes sociais, Perez frequentemente utiliza o slogan “Make America Great Again”, associado ao movimento político de Trump, e demonstra apoio às pautas do presidente americano. Ele também elogiou a operação militar dos EUA na Venezuela em janeiro deste ano.
O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) negou os vistos para Riley Barnes e Samuel Samson, ambos do Departamento de Estado americano, no final de julho. A justificativa principal foi a preocupação de que a visita dos diplomatas pudesse ser utilizada para semear dúvidas sobre a lisura do sistema eleitoral brasileiro.
A visita de Barnes e Samson, conforme noticiado pela Reuters, tinha como objetivo discutir a integridade eleitoral, liberdade religiosa e de expressão com autoridades, líderes religiosos e representantes da sociedade civil brasileira. No entanto, o Planalto interpretou a iniciativa como potencialmente prejudicial à imagem das urnas eletrônicas.
O Departamento de Estado americano refutou as alegações, classificando-as como “mentira sem fundamento”. Samuel Samson atua como subsecretário adjunto de Estado no Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL), enquanto Riley Barnes também ocupa cargo relevante no DRL e é embaixador extraordinário para a liberdade religiosa internacional.
A decisão do governo brasileiro de negar os vistos ocorre em um contexto de crescentes críticas de setores conservadores dos EUA ao governo Lula. O Departamento de Estado americano é comandado por Marco Rubio, um notório crítico do presidente brasileiro e aliado da família Bolsonaro.
A recusa dos vistos também aconteceu poucos dias após o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, fazer acusações sobre as urnas eletrônicas em um evento com a presença de diplomatas estrangeiros. Tais alegações já foram amplamente desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).