O presidente da Argentina, Javier Milei, intensificou suas críticas ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em declarações recentes, reiterando os termos de “ladrão” e “corrupto” para se referir ao líder sul-americano. Milei defendeu suas falas como “verdades” e rebateu acusações de agressividade, afirmando que chamar um ladrão de ladrão é menos grave do que o próprio ato de roubar.
As declarações de Milei, feitas ao programa de televisão La Cornisa, na emissora LN+, reacenderam a polêmica iniciada em sua visita ao Brasil no mês anterior. Na ocasião, o presidente argentino participou de um evento em São Paulo e criticou fortemente Lula, o socialismo e as políticas sociais brasileiras, associando-as a uma estratégia para “comprar” votos e manter o poder.
A resposta do governo brasileiro não tardou. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para expressar a repulsa oficial às ofensas proferidas por Milei contra o chefe de Estado, as instituições democráticas e o povo brasileiro. O Itamaraty classificou o episódio como “infamante” e lamentável, dada a longa relação de amizade e cooperação entre os dois países, que possuem o Brasil como principal parceiro comercial da Argentina.
Milei justificou suas críticas a Lula, afirmando que o presidente brasileiro “foi solto da prisão devido a um erro processual” e que “não é inocente”, em referência à anulação da condenação de Lula na operação Lava Jato em 2021. O presidente argentino sustentou que suas falas foram espontâneas e que ele falou em defesa dos brasileiros.
“Eles falam sobre interferência política na região. Se alguém está interferindo politicamente na região, é Lula, contaminando tudo com as ideias imundas do socialismo”, declarou Milei, acusando o Brasil de ser alvo de interferência política. Ele também mencionou o ministro do STF, Alexandre de Moraes, que teria negado a ele uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
As declarações de Milei geraram grande repercussão na imprensa argentina. Em um artigo de opinião no jornal La Nación, o jornalista Claudio Jacquelin descreveu a situação como a “maior crise diplomática do último meio século entre a Argentina e o Brasil”, ressaltando que o governo Milei já indicou que não haverá pedido de desculpas.
A polêmica se intensificou após Milei compartilhar em sua conta no X, anteriormente Twitter, publicações que criticavam Lula. Uma delas afirmava que Lula é “um ex-presidiário” e “fundador do Foro de São Paulo”, além de manter Bolsonaro “inelegível”. Outra postagem compartilhada dizia: “Estou enojado com todos os idiotas e hipócritas que vieram se desculpar com Lula”.
O presidente Lula respondeu às críticas de Milei em ocasiões anteriores, chamando suas declarações de “patacoada” e referindo-se a Milei como “aquela coisa”. Lula afirmou que não entraria em trocas de farpas, pois sua relação é de chefe de Estado com o Estado, e que ele gosta do povo argentino.
A tensão diplomática entre Argentina e Brasil, marcada por trocas de acusações e declarações polêmicas, evidencia um momento delicado nas relações bilaterais, especialmente após a eleição de Javier Milei e suas posições ideológicas contrastantes com as do governo brasileiro.