Rafaela Pimenta, uma brasileira de 53 anos, se consolidou como a primeira mulher a alcançar o status de superagente no futebol mundial. Sua ascensão é marcada pela influência nos bastidores de um esporte historicamente dominado por homens, liderando negociações de alto impacto e gerenciando carreiras de estrelas como Erling Haaland.
Pimenta é a única representante do futebol na prestigiada lista “50 Over 50” da revista Forbes em 2026, dividindo espaço com nomes como a atriz Penélope Cruz. Ela comanda a agência Tatica, sediada em Mônaco, e sua trajetória é um testemunho de resiliência e competência.
Apesar de nunca ter marcado um gol ou comandado um time, Rafaela Pimenta se tornou uma força inegável, provando que a inteligência, a estratégia e a habilidade de negociação são tão cruciais quanto o desempenho em campo. Sua jornada, que começou como professora no Brasil, é agora inspiração para muitas mulheres no mundo esportivo. Conforme informação divulgada pela BBC Sport, a brasileira afirma que “você é tão bom quanto sua última janela de transferências”, destacando a necessidade de se reinventar diariamente.
A carreira de Rafaela Pimenta no futebol teve um início peculiar. Inicialmente professora, ela buscou formas de engajar seus alunos e descobriu no aspecto jurídico do esporte um interesse particular. Ao ser apresentada a um ex-jogador, utilizou-o como tema para suas aulas, o que a levou a se envolver em negociações no Brasil.
Sua jornada ganhou um novo rumo ao conhecer Mino Raiola, uma figura icônica e controversa no futebol. Apesar das personalidades distintas, a brasileira se destacou por sua coragem em confrontar Raiola, algo que ele valorizava. “Ele dizia que eu era a única pessoa que tinha coragem de dizer ‘não’ para ele”, relembra Pimenta, citando a BBC Sport.
Apesar de ter trabalhado ao lado de Raiola, Pimenta sempre construiu sua própria agência, a Tatica. Após o falecimento de Raiola em abril de 2022, ela assumiu a gestão de alguns de seus clientes, mas já possuía sua própria base de operações e clientes, como o jovem mexicano Gilberto Mora.
A trajetória de Rafaela Pimenta no futebol é marcada por inúmeros desafios, especialmente por ser mulher em um ambiente predominantemente masculino. Ela relata episódios de preconceito e desconfiança, onde sua presença era questionada ou subestimada.
Um dos relatos mais chocantes é de uma ocasião em que um diretor esportivo a questionou: “Então você existe mesmo? Achei que você fosse uma prostituta brasileira”, conforme divulgado pela BBC Sport. Essa fala ilustra o nível de preconceito que ela enfrentou.
Em outra situação, durante uma negociação complexa, um dos homens do outro lado da mesa elogiou o advogado que a acompanhava, dizendo: “Você a ensinou bem, ela conhece bem o nosso futebol”. Pimenta enfatiza que, mesmo disfarçado de elogio, o preconceito é inaceitável, pois parte da premissa de que mulheres não entendem do assunto.
Rafaela Pimenta se dedica a facilitar o caminho para as próximas gerações de mulheres no futebol, atuando como professora em cursos para agentes e aconselhando jovens profissionais. Sua principal mensagem é clara: “Não aceite abuso. Você não precisa aceitar nenhum abuso”, aconselha, incentivando as mulheres a não se sexualizarem para obter espaço na indústria.
Ela critica o poder excessivo dos clubes nas negociações, especialmente em relação a contratos com multas rescisórias que limitam a liberdade dos jogadores. “É como um casamento. Imagine que sua esposa queira se divorciar e, para isso, você tenha que pagar a ela. Você se sentiria muito injustiçado”, compara, defendendo o direito do atleta de escolher seu representante.
Pimenta também aponta para o desequilíbrio de poder no sistema de transferências, onde os jogadores podem se tornar reféns das circunstâncias. Ela acredita que o futebol se tornou um negócio tão grande que há o risco de os jogadores serem vistos apenas como “ativos financeiros”, perdendo sua voz e humanidade. O grande desafio, segundo ela, é encontrar um “equilíbrio entre o ativo financeiro e o ser humano”.