As Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram neste domingo (7/6) a interceptação de uma onda de mísseis iranianos direcionados ao norte do país. Este incidente marca a primeira vez que o Irã ataca diretamente o território israelense desde o frágil cessar-fogo estabelecido em abril, elevando significativamente as tensões na região.
Sirenes de alerta soaram em diversas partes de Israel, enquanto o sistema de defesa aérea trabalhava para neutralizar as ameaças. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) emitiu um comunicado assumindo a responsabilidade, descrevendo a ação como um ataque coordenado e intensivo contra o norte israelense.
A IRGC declarou que esta operação é apenas o começo, prometendo uma semana inteira de ataques contínuos. A autoridade militar iraniana afirmou que ondas de mísseis e drones continuarão a ser lançados ininterruptamente pelos próximos sete dias, visando dissuadir Israel e cessar o que chamam de “crimes”. Conforme divulgado pelas fontes, o Irã também alertou que qualquer ataque ao seu território será recebido com uma resposta “devastadora e esmagadora, além de todas as expectativas”.
A notícia dos ataques iranianos contra Israel provocou uma reação imediata nos mercados asiáticos. Na manhã de segunda-feira, os preços do petróleo registraram alta. O barril de Brent, referência global, subiu 2,6%, atingindo US$ 95,50, enquanto o WTI, negociado nos EUA, avançou 2,5%, alcançando US$ 92,75.
As cotações da commodity têm apresentado volatilidade desde o acordo de cessar-fogo em abril, mantendo-se em torno da marca de US$ 95 na última semana, enquanto investidores analisam o impacto a longo prazo do conflito nos fluxos globais de energia. Este aumento reflete a preocupação com possíveis interrupções no fornecimento de petróleo devido à escalada da tensão.
O ataque iraniano ocorreu após Israel ter atingido o sul de Beirute, no Líbano, no domingo. Foi o primeiro ataque à capital libanesa desde o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos. Dois prédios residenciais em um reduto do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, foram alvos de ataques aéreos, resultando na morte de duas pessoas e ferindo pelo menos 20, incluindo mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde do Líbano.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que Israel atacou “o quartel-general terrorista no distrito de Dahieh, em Beirute, em resposta aos disparos do Hezbollah contra território israelense”. O Hezbollah confirmou ter disparado contra posições militares israelenses. Em resposta a essas ações, as Forças de Defesa de Israel informaram que estavam se preparando para possíveis disparos contra Israel nas horas seguintes.
A Força Aérea de Israel divulgou que interceptou todos os mísseis lançados do Irã até o momento, mas admitiu que “outros lançamentos” foram identificados e que as forças armadas estão “detectando e interceptando ameaças continuamente”.
O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, emitiu uma declaração contundente: “Esta noite, Teerã deve queimar!”. Um porta-voz das IDF, Effie Defrin, classificou o ato iraniano como um “grave erro”. O tenente-general Eyal Zamir prometeu que Israel “atacara o inimigo com determinação assim que a ordem for dada”.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã reiterou que os ataques serviram como um “aviso” e que, caso os “atos de agressão” de Israel se repitam, as respostas serão “mais abrangentes”, englobando “todos” os alvos americanos e israelenses na região. A IRGC reivindicou o ataque à Base Aérea de Ramat David, próxima a Haifa, com mísseis balísticos, e acusou os EUA e Israel de não cumprirem os compromissos do cessar-fogo.
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu um apelo para que o Irã retorne à mesa de negociações, afirmando: “Vocês lançaram seus mísseis. Isso já basta. Voltem à mesa de negociações e façam um acordo.” Trump também declarou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não terá outra escolha senão aceitar acordos fechados pelos EUA com o Irã, afirmando “Quem manda sou eu. Eu tomo todas as decisões. Ele [Netanyahu] não manda em nada.”
Trump expressou que os ataques iranianos não prejudicaram ninguém e que “cada um se divertiu”. Ele declarou que ligaria para Netanyahu para pedir que “não retaliasse”, buscando evitar uma nova escalada.
A tensão entre Irã, Israel e EUA aumentou significativamente com a ofensiva israelense contra o Hezbollah no Líbano. A promessa de uma semana de ataques por parte do Irã e a resposta de Israel são cruciais para determinar os próximos passos. A reação do presidente Trump também será fundamental para tentar apaziguar a situação, demonstrando o papel central do conflito no Líbano nos desdobramentos do Oriente Médio.