A Câmara dos Deputados está perto de aprovar o fim da escala de trabalho 6×1, que concede apenas um dia de folga por semana. Um acordo entre o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, selado nesta segunda-feira (25/5), estabelece um período de transição curto para a nova regra. A proposta pode impactar os trabalhadores ainda neste ano, caso seja aprovada também pelo Senado.
O plano é que a obrigatoriedade de ao menos dois dias de folga entre em vigor 60 dias após a promulgação da alteração constitucional. Já a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais ocorrerá em duas etapas: primeiro para 42 horas, também após os 60 dias, e o limite de 40 horas será atingido um ano depois. Crucialmente, a mudança prevê que os trabalhadores beneficiados não sofrerão redução salarial.
A transição rápida foi uma vitória para o governo, que espera obter dividendos eleitorais com o fim da escala 6×1. A oposição chegou a defender uma transição de dez anos. A previsão é que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) seja votada nesta semana na Câmara e siga para análise no Senado. A informação é de acordo com reportagem divulgada pelo G1.
O acordo firmado entre Lula e Lira prevê que a obrigatoriedade de dois dias de folga entre em vigor 60 dias após a promulgação da PEC. Para a redução da jornada de trabalho, o plano é que ela ocorra em duas fases. Inicialmente, a carga horária semanal cairá para 42 horas, seguindo o mesmo prazo de 60 dias. Posteriormente, após mais um ano, o limite será de 40 horas semanais.
Uma das garantias estabelecidas é que os trabalhadores não terão seus salários reduzidos com a implementação dessas mudanças. O Palácio do Planalto vê essa medida como uma oportunidade de capitalizar politicamente, enquanto a oposição defendia um cronograma muito mais extenso para a adaptação das empresas.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) deve ser votada nesta semana na Câmara dos Deputados. Após aprovação, o texto segue para o Senado. O relator da PEC, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), já apresentou seu parecer na comissão especial. Contudo, o avanço no Senado não é garantido, pois o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não se comprometeu com a aprovação.
Para que uma PEC se torne lei, o texto deve ser aprovado de forma idêntica em ambas as casas legislativas. Qualquer alteração no Senado fará com que a proposta retorne à Câmara. O governo aposta no apelo popular da medida para pressionar os senadores, já que dois terços das vagas estarão em disputa nas eleições de outubro.
O parecer do relator prevê que a redução da jornada e a garantia de dois dias de folga se apliquem a todos os trabalhadores após 60 dias, inclusive a categorias com regimes especiais. Para esses casos, haverá aprovação de nova legislação para definir a compensação de horas. O relator também incluiu uma mudança que restringe a proteção para trabalhadores de alta renda.
Empregado com curso superior completo e renda acima de duas vezes e meia o teto do INSS (atualmente R$ 21.188,87) não estará mais submetido a limites de jornada. Esses profissionais poderão trabalhar mais horas e não terão dois dias de folga garantidos, a menos que estabelecido em acordo coletivo. A justificativa é que essa mudança pode aumentar a formalização de trabalhadores de alta renda contratados como Pessoa Jurídica (PJ).
A campanha pelo fim da escala 6×1 ganhou força com a mobilização de trabalhadores e foi impulsionada inicialmente por deputados como Erika Hilton (PSOL-SP) e Reginaldo Lopes (PT/MG), antes de se tornar uma bandeira eleitoral do governo. Críticos argumentam que a redução da jornada pode aumentar custos de produção, gerar inflação e demissões.
Por outro lado, defensores da proposta afirmam que a escala 6×1 prejudica a qualidade de vida e a saúde dos trabalhadores devido ao descanso insuficiente. A escala extenuante, segundo eles, aumenta a rotatividade e reduz a produtividade. O economista Bruno Ottoni, da UERJ, aponta que a medida pode trazer ganhos de qualidade de vida para quem mantiver o emprego, mas também pode aumentar o desemprego e a informalidade, com empresas optando por contratar sem carteira assinada.
Ottoni questiona se as perdas para alguns trabalhadores compensarão os ganhos para outros. Ele menciona um estudo do economista Naércio Menezes que analisou a redução de 48 para 44 horas semanais em 1988, identificando mais efeitos positivos na ocasião.