O jornal britânico Financial Times publicou uma reportagem que lança luz sobre a polêmica envolvendo o filme “Dark Horse”, cinebiografia planejada sobre Jair Bolsonaro. A produção, para a qual o senador Flávio Bolsonaro teria buscado financiamento de um banqueiro sob investigação, está se transformando em um **”comédia de erros”**, segundo a publicação.
Revelações recentes apontam que Flávio Bolsonaro teria obtido milhões de dólares em financiamento para o filme de Daniel Vorcaro, do banco Master. Vorcaro é descrito como um suspeito de corrupção, apontado como responsável pelo colapso de um banco de US$ 10 bilhões. O senador, por sua vez, nega veementemente ter cometido qualquer irregularidade.
As revelações, divulgadas pelo site Intercept Brasil, indicam um **envolvimento financeiro complexo** que agora coloca em xeque a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. A matéria do Financial Times sugere que a situação levanta sérias dúvidas sobre a viabilidade eleitoral do senador, especialmente após a condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, por planejar um golpe.
O Financial Times detalha que Daniel Vorcaro mantinha **”contatos de alto nível em importantes instituições”** enquanto exibia um estilo de vida luxuoso. Críticos apontam que esse esquema poderia configurar tráfico de influência para promover seus próprios interesses, adicionando mais uma camada de complexidade à situação.
A crise em torno do financiamento do filme “Dark Horse” levanta questionamentos sobre a capacidade de Flávio Bolsonaro de se consolidar como um candidato viável. Ele foi apontado como herdeiro político de seu pai, Jair Bolsonaro, que enfrenta uma sentença de 27 anos por planejar um golpe para permanecer no poder após sua derrota eleitoral em 2022.
Apesar das controvérsias, o jornal britânico ressalta que Jair Bolsonaro continua sendo a figura central da direita brasileira. Decisões cruciais sobre a candidatura de Flávio, inclusive, dependem da aprovação e influência de seu pai, conforme análise de especialistas ouvidos pelo periódico.
Aliados de Bolsonaro, no entanto, acreditam que o filme “Dark Horse” pode ter um **alcance significativo**, tanto no Brasil quanto no exterior. A expectativa é que a produção atraia um bom público, consolidando a narrativa que desejam promover.
O ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon, expressou ao Financial Times seu plano de promover “Dark Horse”. Bannon acredita que o filme pode ser um sucesso nos Estados Unidos, capitalizando a popularidade do ator Jim Caviezel, que interpreta Jair Bolsonaro, dentro do movimento MAGA (Make America Great Again).
“Se você está no Brasil e ouve falar que estão fazendo um filme sobre o seu ex-presidente, com uma grande estrela de Hollywood no elenco, esse tipo de coisa multiplica o investimento em termos de alcance”, afirmou Bannon. Ele compara o potencial do filme a **”muito melhor do que fazer comerciais de 30 segundos na TV”**.
Uma reportagem do The Intercept Brasil, de 13 de maio, revelou que o repasse total acordado entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse” seria de **US$ 24 milhões**, aproximadamente R$ 134 milhões na época. Desse montante, R$ 61 milhões teriam sido liberados entre fevereiro e maio de 2025.
Diante de atrasos nos pagamentos restantes, Flávio Bolsonaro teria enviado mensagens a Vorcaro cobrando a liberação dos valores. Em uma das mensagens divulgadas, o senador trata o banqueiro com aparente proximidade, chamando-o de **”irmão”** e declarando: “Estou e estarei contigo sempre”, um dia antes da primeira prisão de Vorcaro.