O senador Jaques Wagner (PT-BA) é alvo de um inquérito da Polícia Federal que aponta “robustos indícios” de crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de ativos. As suspeitas surgem de diálogos envolvendo o parlamentar e o Banco Master, conforme relatório sigiloso da PF divulgado nesta sexta-feira (11/09). O caso ganhou notoriedade com a abertura de investigações públicas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o banco.
Investigadores destacam que, em conversas interceptadas, Wagner demonstrou interesse em notícias sobre o Banco Master e acompanhou pautas legislativas de interesse da instituição. Um dos diálogos mais significativos ocorreu em agosto de 2024, quando o senador teria enviado uma mensagem a Augusto Ferreira Lima, afirmando: “Vamos marcar, que eu precisava conversar com você para saber como estão as coisas do banco”. A PF interpreta essa fala como uma referência direta ao Master.
O banqueiro Augusto Ferreira Lima, que é ex-sócio de Daniel Vorcaro, é apontado como o principal elo entre Jaques Wagner e o Banco Master. O relatório da PF detalha diversos diálogos entre os dois, totalizando 74 chamadas telefônicas entre novembro de 2023 e maio de 2025, com duração de 5h30. A polícia ressalta que o relacionamento parece ser uma via de mão única, onde o senador solicita ou recebe vantagens, e o empresário as concede.
As investigações apontam que Augusto Ferreira Lima teria oferecido a Jaques Wagner benefícios como ingressos para shows da cantora Taylor Swift e, pelo menos, quatro voos em aeronaves particulares. Além disso, foram trocadas informações sobre um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,4 milhões, que estaria sendo comprado por terceiros para “camuflar a real titularidade do bem”. Ainda não está claro se a compra do imóvel foi efetivada e por quem.
Embora o relatório da PF não apresente contatos diretos entre Wagner e Daniel Vorcaro, ele menciona “ao menos algum grau de interlocução entre o parlamentar e Daniel Bueno Vorcaro”. As investigações também exploram a chamada “Emenda Master”, uma proposta legislativa que visava aumentar o limite de aplicações financeiras protegidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Mensagens entre Vorcaro e Guilherme Sodré, descrito como “indivíduo historicamente relacionado ao Senador JAQUES WAGNER” e “intermediário do parlamentar”, foram analisadas.
Em agosto de 2024, Sodré teria comunicado a Vorcaro que “Lucas”, identificado posteriormente como chefe de gabinete de Jaques Wagner, entraria em contato para acertar detalhes de um encontro em Brasília. Pouco depois, Sodré enviou a Vorcaro um número de telefone de Wagner, acompanhado da mensagem: “Boa sorte”.
Jaques Wagner, que deixou o posto de líder do governo no Senado após se tornar alvo das investigações, busca a reeleição com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista recente, Lula defendeu o senador, afirmando ter consciência de sua honestidade e que, se houver desvio, ele pagará pelo erro. “Até que se prove o contrário, todos são inocentes”, declarou o presidente, demonstrando apoio enquanto as investigações prosseguem.
A BBC News Brasil buscou posicionamento do senador Jaques Wagner através de sua assessoria de imprensa e gabinete no Senado, mas ainda não obteve resposta.