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Alejandro Betancourt: O empresário em foco no acordo petrolífero EUA-Venezuela

Um acordo petrolífero entre os Estados Unidos e a Venezuela, anunciado como um dos maiores da história, tem gerado polêmica e questionamentos. No centro das atenções está a empresa North American Blue Energy Partners (Nabep) e seu diretor, o venezuelano Alejandro Betancourt López.

A escolha da Nabep, uma empresa com pouca informação pública, em detrimento de gigantes do setor, levantou sobrancelhas. A participação de Betancourt, um empresário com um histórico de negócios milionários e investigações judiciais em diversos países, adiciona uma camada de complexidade ao acordo.

Enquanto os EUA defendem a escolha de Betancourt como um parceiro confiável e capaz de gerar resultados, seu passado é marcado por acusações de corrupção e ligações com o governo venezuelano desde os tempos de Hugo Chávez. Conforme informações divulgadas, o governo americano afirma que Betancourt já comprovou ser confiável e que a Nabep demonstrou sucesso na produção de petróleo.

O surgimento de Alejandro Betancourt e os “Bolichicos”

Nascido em Caracas, Venezuela, em 1980, Alejandro Betancourt López é economista formado pela Universidade de Suffolk, nos Estados Unidos. Sua ascensão financeira é atribuída por ele ao seu “espírito empreendedor”, mas jornalistas venezuelanos apontam para suas conexões desde os tempos de escola, especialmente com Javier Alvarado Pardi, filho de um influente executivo da PDVSA (Petróleos de Venezuela).

A empresa Derwick Associates, fundada por Betancourt e um primo, recebeu 12 contratos milionários do governo venezuelano entre 2009 e 2011 para a construção de usinas elétricas, totalizando US$ 5 bilhões. Essa ascensão rápida de jovens empresários com negócios vultosos com o governo bolivariano rendeu-lhes o apelido de “bolichicos”, termo que une “bolivariano” e “chicos” (jovens).

O advogado de Betancourt, Jon Sale, rejeita o termo, afirmando que é uma designação pejorativa criada pela imprensa para um grupo de jovens bem-sucedidos, e que Betancourt já era rico antes de se associar a eles, com raízes familiares antigas na Venezuela.

Investigações e Acusações de Corrupção

Apesar da defesa de suas ações, o histórico de Betancourt é pontuado por investigações e acusações. Organizações como Transparência Venezuela e o Projeto de Informações sobre Crime Organizado e Corrupção (OCCRP) questionam a conclusão de projetos elétricos pela Derwick, que teriam custado ao governo venezuelano 138% a mais que o previsto, contribuindo para apagões contínuos no país.

Em 2013, o ex-embaixador dos EUA na Venezuela, Otto Reich, entrou com uma ação judicial contra Betancourt e sócios por suposto pagamento de propina a funcionários públicos venezuelanos. Embora a ação tenha sido rejeitada anos depois, investigações judiciais na Espanha, Suíça, Andorra e Estados Unidos continuaram a apurar a participação de Betancourt e outros “bolichicos” em esquemas de corrupção ligados à PDVSA.

Em 2025, Betancourt foi detido em Londres em duas ocasiões no âmbito de uma investigação de lavagem de dinheiro promovida pela promotoria suíça. Autoridades espanholas também cumpriram mandados de busca e apreensão em um castelo de sua propriedade na Espanha. O advogado de Betancourt alega que essas ações são fabricadas.

Os Motivos de Washington para Escolher Betancourt

Apesar do histórico controverso, os Estados Unidos defendem a escolha de Alejandro Betancourt como parceiro no acordo petrolífero. O Secretário de Estado americano, Marco Rubio, apresentou três razões principais para essa decisão, conforme entrevista ao jornalista Sergio Novelli.

Primeiro, Betancourt tem um “histórico de poder produzir petróleo”. A Nabep produz atualmente cerca de 180 mil barris diários, um número expressivo, embora inferior aos mais de 200 mil da Chevron. Especialistas, no entanto, pedem cautela na análise desses números, sugerindo que a produção total pode ser inflada pela soma de diversos poços.

Segundo, Rubio destacou que “não existia nenhuma investigação contra ele no nosso sistema”. O advogado de Betancourt confirma que o Departamento de Justiça dos EUA investigou a fundo e não apresentou acusações formais contra o empresário. Contudo, reportagens indicam que Betancourt é mencionado em investigações relacionadas à Operação Money Flight, um esquema de desvio de fundos da PDVSA, onde seu primo, Francisco Convit, é acusado.

Terceiro, Betancourt é visto como um indivíduo que “apoiou muito a oposição”, especialmente durante a gestão de Juan Guaidó, o que o teria desgastado com Nicolás Maduro. Essa postura política, segundo analistas, teria possibilitado sua aproximação com autoridades americanas durante o primeiro mandato de Donald Trump, incluindo figuras como Mauricio Claver-Carone e Rudy Giuliani.

A Influência de Betancourt e a Redução da Pressão Judicial

A intermediação de Alejandro Betancourt teria sido crucial para a redução da pressão judicial que ele enfrentava na Suíça e na Espanha. O Jornal The Washington Post reportou que, em 2025, autoridades americanas solicitaram à Suíça que desistisse do pedido de extradição de Betancourt, apresentado à justiça britânica. As autoridades suíças atenderam ao pedido, e um tribunal de Londres suspendeu a proibição de saída do país imposta ao empresário, que também possui cidadania italiana.

O advogado de Betancourt confirmou que o caso foi rejeitado por falta de provas suficientes apresentadas pela Suíça. Apesar disso, ele admite que as investigações no país alpino podem não ter chegado ao fim. A suposta contribuição de Betancourt como elo entre Washington e Caracas parece ter fortalecido sua posição junto à Casa Branca.

Segundo o portal Axios, Betancourt teria conversado com a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez logo após uma operação militar que culminou na captura de Maduro e sua esposa, convencendo-a a dialogar com Marco Rubio. Seu advogado confirmou que ele atuou como intermediário, aproveitando a confiança que possuía de ambas as partes, embora negue qualquer envolvimento direto na saída de Maduro do poder.

Em 2022, a proteção de Betancourt na Venezuela foi abalada quando o então ministro do Petróleo, Tareck El Aissami, o acusou de participar de um esquema de desvio de US$ 4 bilhões da PDVSA. No entanto, El Aissami foi preso meses depois por supostos atos de corrupção, em um revés para quem o acusou.

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