O cenário eleitoral foi agitado por um incidente inusitado envolvendo o senador Flávio Bolsonaro. Seu registro de candidatura à Presidência da República foi temporariamente impedido devido a uma filiação inesperada ao partido recém-criado, Missão. A situação gerou um alerta sobre a segurança dos sistemas da Justiça Eleitoral e levantou suspeitas de fraude.
A confusão teve início quando o nome de Flávio Bolsonaro apareceu como filiado à sigla Missão, impedindo a continuidade do registro de sua candidatura pelo Partido Liberal (PL). A correção da informação, que o restabeleceu como filiado ao PL, foi determinada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, após solicitação do partido.
A campanha de Flávio Bolsonaro classificou o ocorrido como uma fraude, levantando a possibilidade de invasão de sistemas ou uso indevido de credenciais. O caso está sob investigação do TSE e da Polícia Judiciária, com o prazo para registro de candidaturas se encerrando em breve.
Na tarde de quinta-feira (13/08), Flávio Bolsonaro voltou a constar como filiado ao Partido Liberal (PL) no sistema da Justiça Eleitoral. Essa correção foi essencial para que o registro de sua candidatura pudesse prosseguir, após ter sido bloqueado pela informação de filiação ao partido Missão. A intervenção do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, foi fundamental para a resolução imediata da pendência.
O partido Missão, criado no ano passado e com Renan Santos como seu candidato presidencial, negou envolvimento na chamada “filiação fraudulenta”. A sigla declarou que foi vítima da situação e se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. Segundo a advogada da campanha de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri, a suspeita de fraude surgiu durante o processo de coleta de documentos para o registro da candidatura.
Maria Claudia Bucchianeri informou que a equipe possuía uma certidão de filiação de Flávio ao PL, emitida na noite de quarta-feira (12/08), indicando que a alteração para o partido Missão ocorreu após esse horário. Em vídeo divulgado em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro se manifestou sobre o ocorrido, afirmando que “o sistema vai fazer de tudo para me parar, mas não vão conseguir”.
Ele declarou que “mais uma vez o sistema armou para tentar me derrubar” e que a tentativa não funcionou. O senador também criticou a segurança do sistema da Justiça Eleitoral, sugerindo a necessidade de melhorias. A campanha de Flávio Bolsonaro, conforme divulgado pela GloboNews, levanta a hipótese de atuação de hackers ou uso indevido de senhas.
O TSE confirmou que uma investigação já está em andamento para apurar as circunstâncias da filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão. Em nota, a Corte esclareceu que a filiação não foi resultado de um hackeamento, mas sim de um “uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações”. O presidente do TSE enviou uma representação à Procuradoria-Geral Eleitoral e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária.
O prazo para que os partidos registrem seus candidatos encerra-se às 19h de sábado (15/08). Este é um passo obrigatório para a participação nas eleições. Especialistas em direito eleitoral, como Alberto Rollo, apontam para a possibilidade de uso indevido das senhas de acesso ao sistema de filiação partidária do TSE e reforçam a necessidade de aprimoramento da segurança.
Em comunicado oficial, o partido Missão declarou ser “vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro”. A legenda afirmou que, ao detectar a fraude, tentou cancelar a filiação no mesmo dia, mas o pedido foi rejeitado pelo TSE. O partido reiterou seu repúdio a filiações fraudulentas e se colocou à disposição das autoridades.
Segundo o Missão, o gabinete de Flávio Bolsonaro foi informado sobre a tentativa de filiação em 2 de agosto, mas não houve resposta aos e-mails enviados. O partido informou que está tomando providências junto à Polícia Federal e ao TSE para identificar os responsáveis pelo crime. O deputado Kim Kataguiri, do partido, destacou em live que a filiação ao Missão teria sido realizada utilizando o e-mail institucional de Flávio Bolsonaro no Senado, negando qualquer fraude por parte da sigla.