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Novas Tentativas de Travessia para Ceuta são Incentivadas por Perfis em Redes Sociais

Perfis em redes sociais que anteriormente divulgaram a travessia em massa de migrantes do Marrocos para Ceuta, em julho, estão agora compartilhando publicações que incentivam centenas de milhares de seguidores a tentar uma nova travessia nos próximos dias. Esta situação levanta sérias preocupações sobre a segurança e o bem-estar de milhares de pessoas vulneráveis.

A estratégia utilizada por esses perfis envolve a disseminação de informações falsas e a criação de um senso de urgência, levando muitos a acreditarem que uma nova oportunidade de cruzar a fronteira está iminente. A BBC News Árabe identificou dezenas de publicações no Facebook convocando para uma segunda tentativa de travessia em meados de agosto, incluindo anúncios de equipamentos para natação à venda.

Seis desses grupos possuíam mais de 100 mil seguidores cada, evidenciando o alcance e o impacto dessas campanhas. A Meta, empresa controladora do Facebook e Instagram, foi alertada pela BBC e removeu a maioria dos grupos e perfis que violavam suas políticas, mas a amplitude do problema sugere que mais ações são necessárias. Conforme informação divulgada pela BBC, a Meta declarou que possui uma equipe monitorando a situação em tempo real e removendo conteúdos que infringem suas políticas, incluindo aqueles que facilitam o tráfico de migrantes.

O Perigo das Informações Falsas e Campanhas Online

A travessia de julho resultou na morte de cerca de 100 pessoas, quando 72 mil migrantes nadaram ou escalaram a cerca que separa o Marrocos do território espanhol de Ceuta. Mesmo diante dessa tragédia, a disseminação de informações falsas continua. A BBC analisou dez grupos no Facebook, com membros que variam de 3 mil a 191 mil. Muitos desses grupos foram criados há anos e compartilhavam dicas sobre como cruzar a fronteira ilegalmente.

Nas semanas que antecederam a travessia de julho, esses grupos divulgaram informações falsas de que a fronteira estaria aberta. Uma publicação, repetidamente compartilhada antes dos eventos de julho, mostrava uma usuária de 17 anos, que não sabia nadar, pedindo orientações sobre como atravessar. Mesmo após a travessia, usuários continuaram respondendo, incentivando que “todos fossem” em agosto, com frases como, “Todos nós atravessaremos, se Deus quiser.”

Disseminação de Notícias Enganosas sobre Imigração

Os grupos também continuaram a espalhar informações falsas sobre o sistema de imigração da Espanha. Uma publicação afirmava incorretamente que 5 mil pessoas que atravessaram em julho haviam recebido o direito de permanecer no país. O governo de Ceuta informou que entre 3 mil e 5 mil pessoas que fizeram a travessia em julho ainda estão no território, mas a Espanha não declarou que elas têm direito de permanecer.

Além disso, alguns grupos anunciavam a venda de equipamentos para a travessia pelo mar. Uma publicação de 5 de agosto oferecia uma scooter aquática. Algumas publicações direcionavam usuários para pequenos grupos privados no WhatsApp, onde as discussões sobre a travessia continuavam, longe dos olhares das plataformas maiores.

Ações das Plataformas e Autoridades

A Meta informou à BBC que trabalha com verificadores de fatos independentes para identificar e reduzir a distribuição de conteúdos falsos. No entanto, Mohamed Ben Aissa, presidente do Observatório Norte de Direitos Humanos, afirma que remover alguns grupos não é suficiente e que o Facebook precisa de uma moderação mais rigorosa para identificar esse tipo de atividade. Ele acredita que uma nova travessia seria difícil, pois as autoridades espanholas e marroquinas estão cientes dos planos e já se prepararam, mas alerta que qualquer tentativa pode provocar confrontos fatais.

O Ministério do Interior da Espanha declarou à BBC que está monitorando a questão nas redes sociais em coordenação com as autoridades marroquinas e que todos os recursos necessários serão mobilizados para lidar com qualquer situação que possa surgir nos próximos dias. A BBC procurou as autoridades marroquinas para comentar, mas não recebeu resposta até o momento da publicação.

Um Chamado por Moderação Mais Rigorosa

A análise da BBC também incluiu 12 perfis no Instagram, que compartilhavam vídeos incentivando a travessia, a maioria com dezenas de milhares de seguidores. Assim como no Facebook, grande parte dessas contas existia antes da travessia de julho e continuou publicando conteúdos em agosto. Foram encontradas dezenas de publicações com imagens da fronteira de Ceuta, a data marcada para agosto e a bandeira espanhola, algumas com mais de 2.200 curtidas.

Apesar de uma minoria de usuários nos grupos do Facebook alertarem contra a travessia e aconselharem desconfiança em rumores, a predominância de conteúdos que incentivam a jornada perigosa demonstra a necessidade urgente de uma fiscalização mais eficaz e de campanhas de conscientização sobre os riscos envolvidos na migração irregular.

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