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Conselho da Paz de Trump gera polêmica: entenda o órgão criado para desarmar o Hamas e reconstruir Gaza

Um novo e polêmico órgão internacional, o Conselho da Paz, criado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um acordo histórico com o Hamas para o desarmamento total. A iniciativa visa também supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza e a retirada das forças israelenses, um plano que ainda não teve pronunciamento de Israel.

A proposta, apresentada no fim de setembro de 2025, faz parte de um plano de paz de 20 pontos do governo Trump para encerrar o conflito entre Israel e Hamas. Contudo, a falta de menção explícita a Gaza e aos territórios palestinos na carta constitutiva do conselho levantou preocupações sobre um escopo mais amplo, potencialmente usurpando funções da ONU.

A iniciativa foi lançada formalmente em janeiro, à margem do Fórum Econômico Mundial em Davos. Trump atua como presidente vitalício, com poder de decisão significativo. A adesão permanente ao conselho custa US$ 1 bilhão, um valor que já gerou questionamentos e exclusões de países convidados. Conforme informações divulgadas, mais de 20 dos 60 países convidados aceitaram participar, incluindo Israel, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Egito. No entanto, potências europeias como Reino Unido e França não aderiram, assim como China e Rússia, expressando receios de que o conselho possa enfraquecer a Organização das Nações Unidas.

Composição e Critérios de Adesão do Conselho da Paz

O Conselho da Paz, sob a liderança de Donald Trump, definiu critérios rigorosos para sua composição. A adesão permanente à instituição exige o pagamento de uma taxa substancial de US$ 1 bilhão. Dos 60 países inicialmente convidados, mais de 20 confirmaram participação, um número que reflete a complexidade e a natureza controversa da iniciativa. Entre os membros confirmados estão Israel, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Egito.

A ausência de aliados europeus tradicionais dos EUA, como o Reino Unido e a França, destaca a divisão de opiniões sobre o projeto. A China e a Rússia também optaram por não aderir, apesar de um convite a Vladimir Putin. Um caso notório foi a retirada do convite ao Canadá, que manifestou interesse, mas não aceitou a taxa de adesão. O Brasil, representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condicionou sua participação à inclusão de representantes palestinos, criticando a ausência de vozes palestinas na estrutura do conselho.

Estrutura e Órgãos Executivos do Conselho da Paz

O Conselho da Paz opera com uma estrutura que inclui dois conselhos executivos subordinados: o Founding Executive Board (Conselho Executivo Fundador) e o Gaza Executive Board (Conselho Executivo de Gaza). O primeiro foca em investimentos e diplomacia em alto nível, enquanto o segundo é responsável pela supervisão direta das operações em Gaza, incluindo a governança temporária e a reconstrução do território, sob a égide do Comitê Nacional para a Administração de Gaza.

Donald Trump preside o Conselho Executivo Fundador, composto por nove membros, incluindo figuras como o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff, Jared Kushner, genro de Trump, e o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair. A inclusão de Blair, associado à controversa Guerra do Iraque, tem sido criticada. É notável a ausência de representantes palestinos em ambos os conselhos executivos, um ponto central das críticas ao órgão.

Controvérsias e Críticas ao Conselho da Paz

A legitimidade e a representatividade do Conselho da Paz são os principais focos de críticas. Aliados dos EUA expressaram preocupação de que o órgão possa minar o papel da Organização das Nações Unidas e do seu Conselho de Segurança. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, descreveu o Conselho da Paz como um instrumento pessoal de Trump, carente de mecanismos de responsabilização perante os palestinos ou a ONU. Ela ressaltou que a carta constitutiva do conselho omite elementos de participação palestina e referência explícita ao território, contrariando uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que apoiava a criação de um conselho temporário para Gaza com participação palestina.

A ausência de representantes palestinos nos conselhos executivos é amplamente criticada. O político palestino Mustafa Barghouti afirmou que o conselho parece ser predominantemente americano, com poucos elementos internacionais, e que os palestinos esperavam uma representação muito mais ampla. A inclusão de membros israelenses e a falta de clareza sobre o papel do grupo administrativo palestino aprovado em negociações no Cairo também geram preocupação. Por outro lado, a inclusão de políticos do Catar e da Turquia, países críticos à atuação de Israel em Gaza, provocou reações negativas entre políticos israelenses, com o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmando que a composição dos conselhos executivos não foi coordenada com Israel e contraria sua política.

Desafios da Reconstrução de Gaza e o Papel do Conselho

A reconstrução de Gaza é um desafio monumental, com estimativas da ONU, União Europeia e Banco Mundial apontando para custos superiores a US$ 70 bilhões e anos de trabalho. Cerca de 80% dos edifícios em Gaza foram destruídos ou danificados, gerando 61 milhões de toneladas de escombros, segundo a ONU. Famílias deslocadas enfrentam condições precárias, com abrigo limitado e escassez de alimentos.

Jared Kushner apresentou um plano para Gaza que inclui arranha-céus, novas cidades e uma zona turística costeira, com um investimento estimado em pelo menos US$ 25 bilhões. A ajuda humanitária é apontada como prioridade imediata. Apesar das promessas de investimento, a eficácia do Conselho da Paz em promover uma paz duradoura e a reconstrução de Gaza, especialmente sem a participação direta dos palestinos, permanece uma grande incógnita e fonte de debate internacional.

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