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Espanha envia Exército para Ceuta em meio a fluxo massivo de migrantes vindos de Marrocos, com mortes registradas na travessia.

A cidade autônoma espanhola de Ceuta, localizada no norte da África, enfrenta uma crise migratória sem precedentes. Milhares de pessoas, a maioria a nado, cruzaram a fronteira vinda de Marrocos, sobrecarregando as estruturas locais e gerando uma resposta militar por parte do governo espanhol. A situação é descrita como fora de controle por ativistas e autoridades.

O fluxo intenso de migrantes levantou preocupações sobre a segurança e a capacidade de acolhimento da cidade. Relatos indicam que pelo menos 10 pessoas morreram durante a perigosa travessia marítima, a maioria por afogamento, evidenciando os riscos enfrentados por aqueles que buscam chegar à Europa.

Diante da gravidade do cenário, o chefe do governo de Ceuta solicitou ajuda urgente ao governo central em Madri. A mobilização do Exército foi confirmada, com o objetivo de reforçar a segurança e controlar a fronteira. A crise também reascendeu o debate sobre as políticas de imigração europeias, com a Itália sugerindo a suspensão do Acordo de Schengen.

Ceuta, um Ponto de Tensão Migratória Histórico

Ceuta, enclave espanhol na costa africana, tem sido historicamente um ponto de passagem para migrantes que tentam alcançar o continente europeu. Nesta quinta-feira, centenas de pessoas foram vistas escalando cercas e nadando em direção à costa da cidade, num esforço desesperado para cruzar a fronteira. Ativistas relatam que muitas mais pessoas se dirigiam para a cidade marroquina de Fnideq, com o intuito de tentar a travessia para Ceuta.

Zakaria Zarroqui, ativista pelos direitos dos migrantes, descreveu a situação como “fora de controle neste exato momento”. A agência AFP registrou cenas de migrantes comemorando sua chegada ao território europeu, agradecendo à polícia espanhola e gritando “Adeus, Marrocos. Olá, Espanha”. Rumores sobre a abertura da fronteira também levaram centenas de pessoas a se reunirem em Fnideq durante a noite.

Apelo por Medidas Urgentes e Reforço Militar

Juan Jesús Vivas, chefe do governo de Ceuta, alertou que o fluxo de migrantes está sobrecarregando a infraestrutura da cidade e pediu a intervenção do governo central. Ele comparou a situação atual a um episódio de cinco anos atrás, quando milhares de migrantes atravessaram diariamente, levando ao envio de soldados e tanques para conter a entrada. Vivas expressou receio de que, sem medidas adequadas, os números possam se equiparar aos registrados em maio de 2021.

O pedido de Vivas inclui a declaração de estado de emergência nacional e o envio do Exército para fechar a fronteira. Ele também defende a alteração na lei de imigração para restabelecer um mecanismo legal que permitia a rejeição imediata de pessoas que tentavam entrar por via marítima, um mecanismo que, segundo ele, foi perdido após uma interpretação do Tribunal Supremo. Recentemente, o Tribunal Supremo espanhol decidiu que migrantes que chegam por mar a Ceuta e Melilla não podem ser devolvidos imediatamente.

Reações e Propostas de Soluções Extraordinárias

Em resposta ao apelo, o Ministério do Interior espanhol anunciou o envio de agentes para reforçar os controles. As Forças Armadas também foram mobilizadas para auxiliar a Guarda Civil na manutenção da segurança em Ceuta. O líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, criticou a gestão do governo, acusando-o de apresentar uma visão otimista que a realidade desmente, e pediu um “desdobramento massivo de recursos”.

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, manifestou-se sobre a crise, classificando as imagens de Ceuta como “impactantes” e um reflexo da imigração ilegal como ameaça à segurança das fronteiras europeias. Ela sugeriu a possibilidade de suspender o Acordo de Schengen com a Espanha, caso necessário, para defender as fronteiras. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores da Espanha convocou o embaixador italiano no país.

Números Alarmantes e Centros de Acolhimento Lotados

Veículos da imprensa espanhola estimaram a entrada de entre 2.000 e 3.000 pessoas em Ceuta na quinta-feira, embora a Guarda Civil não tenha confirmado os números. A Radiotelevisão Espanhola (RTVE) informou que “centenas” de pessoas atravessaram ao longo do dia. A emissora também destacou que mais de 1.500 migrantes, em sua maioria jovens marroquinos, chegaram a Ceuta nas últimas duas semanas.

Juan Jesús Vivas confirmou esse número e ressaltou que os centros de acolhimento estão completamente lotados, com mais de 200 novas entradas por dia. “Não há lugar para mais ninguém”, declarou. Vivas também mencionou que os corpos de 60 pessoas foram resgatados no mar nos últimos meses, um dado alarmante sobre os perigos da migração irregular.

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