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Trump pressiona Israel a não retaliar o Irã e prioriza negociações de paz, temendo que novos ataques compliquem acordo com Teerã.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou um recado direto a Israel, pedindo o fim imediato das retaliações contra o Irã. A preocupação de Trump reside no temor de que a escalada de ataques entre as duas nações possa comprometer as negociações em andamento entre americanos e iranianos para a resolução do conflito.

A tensão entre Israel e Irã voltou a se acirrar com trocas de ataques, que foram confirmadas por ambos os governos como interrompidas na manhã desta segunda-feira (08/06). Contudo, o Irã fez um alerta severo, indicando que uma resposta mais dura será aplicada caso os ataques israelenses ao sul do Líbano persistam.

A editora de América do Norte da BBC, Sarah Smith, avalia que a estratégia de Trump visa proteger as negociações de paz, nas quais os EUA buscam um acordo com o Irã. A posição americana demonstra uma clara prioridade em manter o diálogo aberto, mesmo diante de provocações diretas. Conforme apurado pelo site de notícias Axios, Trump teria instruído o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a aguardar, pois os EUA estariam próximos de alcançar um consenso com o Irã.

Trump apela ao Irã para voltar à mesa de negociações

Em declaração à emissora Fox News, antes mesmo do anúncio da interrupção mútua das hostilidades, Trump dirigiu-se ao Irã: “Vocês lançaram seus mísseis. Isso já basta. Voltem à mesa de negociações e façam um acordo.” O presidente americano instou o Irã a retomar as conversas após o lançamento de mísseis contra o norte de Israel no domingo (07/06), ao qual Israel respondeu com ataques a alvos militares no Irã.

Netanyahu sob pressão: “Não terá escolha”, diz Trump

Em uma declaração contundente ao Financial Times, Trump afirmou que Benjamin Netanyahu não terá alternativa senão aceitar qualquer acordo firmado pelos Estados Unidos com o Irã. “Ele não terá escolha”, declarou Trump, enfatizando seu controle sobre as decisões: “Quem manda sou eu. Eu tomo todas as decisões. Ele [Netanyahu] não manda em nada.”

Segundo Trump, os recentes ataques no Oriente Médio não tiveram “nenhum impacto no acordo”. Ele minimizou a gravidade dos eventos, sugerindo que ambos os lados tiveram sua “diversão” e que não há necessidade de mais ações. Trump também confirmou que entraria em contato com Netanyahu para reforçar a ordem de não retaliar.

Cessar-fogo fragilizado e histórico de tensões

Um cessar-fogo entre EUA e Irã, iniciado em 8 de abril, tem sido testado por incidentes recentes. Embora Israel tenha apoiado o acordo, ressaltou que ele “não inclui o Líbano”. A primeira vez que Israel atacou o Irã desde o início da trégua ocorreu nas primeiras horas desta segunda-feira, em retaliação a um ataque iraniano com mísseis contra o norte de Israel no domingo. Este, por sua vez, teria sido uma resposta a ataques israelenses contra o Hezbollah em Beirute.

A mídia estatal iraniana relatou explosões em diversas cidades, enquanto mísseis iranianos atingiram o norte de Israel na noite de domingo, marcando a primeira vez desde abril que tal ação ocorreu. A escalada da tensão foi ainda mais evidenciada por um míssil lançado contra Israel a partir do Iêmen, país onde os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, estão baseados.

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