O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi rapidamente retirado de um jantar de gala em Washington no último sábado (25/4) após um atirador abrir fogo perto do local. O incidente ocorreu durante o jantar anual dos correspondentes da Casa Branca, um evento que reúne centenas de jornalistas, figuras públicas e membros do governo.
O suspeito, identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, foi imobilizado por agentes de segurança. Ele portava múltiplas armas e, segundo as autoridades, parece ter agido sozinho. Um agente federal foi atingido durante a troca de tiros, mas foi protegido por seu colete à prova de balas.
O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou que o suspeito tinha como alvo funcionários do governo, com alta probabilidade de incluir o próprio presidente Trump, que estava presente no evento. Vários membros do gabinete de Trump e seu vice-presidente também compareceram ao jantar. Essa informação foi divulgada após o ataque, conforme relatado por fontes policiais e divulgada pela mídia americana.
Imagens de câmeras de segurança do hotel Washington Hilton, onde o jantar estava sendo realizado, mostram um homem correndo em direção aos seguranças. Segundos depois, ocorre uma troca de tiros com cerca de cinco a oito disparos. Dentro do salão de baile, Trump e a primeira-dama foram cercados por agentes e retirados rapidamente do palco.
Em entrevista ao programa 60 Minutes da CBS News, Trump declarou que não se sentiu preocupado durante o incidente, afirmando: “Eu não estava preocupado. Eu entendo como é a vida. Vivemos em um mundo louco.” Ele também aproveitou para reforçar seu argumento pela construção de um salão de baile na Casa Branca, sugerindo que o ataque não teria ocorrido com a estrutura militarizada que ele propõe.
O jantar, uma tradição da imprensa americana desde 1921, foi encerrado e remarcado. A visita de Estado do Rei Charles III aos EUA, que se inicia nesta segunda-feira, seguirá conforme planejado, com alguns pequenos ajustes de segurança.
Cole Tomas Allen, de 31 anos e natural de Torrance, Califórnia, estava hospedado no hotel onde o evento acontecia. Ele foi preso portando uma espingarda, uma pistola e facas. Investigações apontam que Allen teria deixado escritos indicando seu desejo de atacar funcionários do governo Trump.
Um membro da família de Allen alertou a polícia após receber mensagens dele antes do ataque. Esses escritos, descritos como um manifesto, não mencionavam especificamente o jantar, mas indicavam a intenção de atacar membros do governo “do mais alto ao mais baixo escalão”. Hóspedes e funcionários do hotel não eram os alvos primários, mas poderiam ser atacados se necessário.
No LinkedIn, Allen se descreve como engenheiro mecânico e desenvolvedor de jogos. Ele estudou no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e cursou mestrado em ciência da computação na Universidade Estadual da Califórnia. Registros eleitorais indicam que ele se registrou sem preferência partidária, mas fez uma pequena doação à campanha de Kamala Harris em outubro de 2024.
Jeanine Pirro, procuradora federal em Washington, informou que Cole Tomas Allen enfrenta duas acusações: porte de arma de fogo durante um crime violento e agressão a um agente federal com arma perigosa. Ele comparecerá a um tribunal federal nesta segunda-feira (27/4) para ser formalmente indiciado.
O procurador-geral interino, Todd Blanche, declarou que ainda não se sabe se outras acusações serão feitas, mas que o suspeito “com certeza” poderá ser indiciado por tentativa de assassinato, dependendo das provas coletadas. As investigações continuam para determinar todos os detalhes e possíveis cúmplices.
A polícia e o FBI vasculharam uma área na Califórnia ligada ao suspeito. A análise dos documentos escritos por Allen é crucial para entender as motivações por trás do ataque. Trump comentou que o suspeito “era cristão, um crente, e depois se tornou anticristão, e mudou muito”, conforme relatado por ele à CBS News.