Uma descoberta surpreendente pode mudar a forma como você vê aquele copo de cerveja ocasional. Pesquisas recentes indicam que a bebida, consumida com moderação, pode ser uma fonte inesperada de uma vitamina crucial para o cérebro, o sangue e o sistema imunológico: a vitamina B6.
Essa vitamina essencial, encontrada em diversos alimentos, pode ter sua necessidade diária parcialmente suprida pelo consumo de cerveja. Um estudo publicado no renomado Journal of Agricultural and Food Chemistry, da Sociedade Química Americana, aponta que até mesmo cervejas sem álcool podem conter níveis consideráveis desse nutriente.
Os pesquisadores da Universidade de Munique, na Alemanha, analisaram uma variedade de cervejas e descobriram que ingredientes como cevada, trigo e levedura, utilizados na produção, são ricos em vitamina B6. O processo de fermentação, longe de eliminar completamente, preserva parte desse valioso nutriente. Conforme aponta a pesquisa, um copo de 500 ml de cerveja pode suprir cerca de 15% da necessidade diária de vitamina B6.
A vitamina B6 é um nutriente que o corpo humano obtém principalmente através da alimentação. Fontes conhecidas incluem carnes, peixes, aveia, batata e grão-de-bico. Muitos cereais matinais também são enriquecidos com este nutriente. A deficiência de vitamina B6 é considerada rara, mas níveis baixos podem estar associados à falta de outras vitaminas do complexo B, como a B12, podendo causar sintomas como cansaço e náuseas.
O estudo alemão analisou 65 tipos de cerveja e observou diferenças significativas no teor de vitamina B6. As cervejas do tipo bock, conhecidas por serem mais encorpadas e com maior teor alcoólico, apresentaram os níveis mais elevados. Em seguida, vieram as lagers, as versões escuras e as cervejas de trigo. Curiosamente, as cervejas feitas com arroz tiveram o menor teor da vitamina.
No universo das cervejas sem álcool, a pesquisa indicou que aquelas que passam por um processo de fermentação completa e, posteriormente, têm o álcool retirado, concentram mais vitamina B6 em comparação com as produzidas com leveduras que geram pouco álcool naturalmente. Segundo os pesquisadores, uma lager comum pode fornecer cerca de 20% da ingestão diária recomendada de vitamina B6, com uma versão sem álcool testada chegando a quase 59%.
De acordo com o NHS, o sistema público de saúde do Reino Unido, homens necessitam de aproximadamente 1,4 mg de vitamina B6 por dia, e mulheres, 1,2 mg. O estudo sugere que 1 litro de cerveja pode conter entre 0,3 mg e 1 mg da vitamina. Michael Rychlik, um dos autores do estudo, ressalta que, mesmo que a quantidade não atenda aos critérios para ser destacada no rótulo como fonte de vitaminas, a presença é mensurável.
Rychlik considera os resultados úteis para consumidores que buscam otimizar a ingestão de vitaminas. As cervejas bock, tradicionais na Alemanha, destacaram-se pelos níveis mais altos de B6, em parte devido ao seu teor alcoólico geralmente superior a 6,5%. Contudo, especialistas como Bridget Benelam, da Fundação Britânica de Nutrição, enfatizam que a cerveja ou qualquer bebida alcoólica não deve ser vista como fonte principal de nutrientes. A dieta deve ser a prioridade.
Benelam também alerta que, a menos que uma pessoa siga uma dieta muito restritiva, é improvável que haja deficiência de vitamina B6. Pessoas com problemas de saúde como alcoolismo ou doença renal crônica podem ter dificuldades em manter níveis adequados. A especialista recomenda o foco em outras vitaminas importantes do complexo B, como a B12 e a riboflavina (vitamina B2), encontradas em laticínios e alimentos de origem animal, que desempenham papel crucial no metabolismo e na liberação de energia. Para veganos, a recomendação é optar por substitutos de leite e iogurte enriquecidos com essas vitaminas.