A icônica Ponte das Correntes em Budapeste, que liga Buda e Peste sobre o rio Danúbio, testemunhou um momento histórico. Após 16 anos de governo, Viktor Orbán sofreu uma derrota eleitoral avassaladora, marcando o fim de uma era para a Hungria. A ponte, usualmente repleta de turistas, foi iluminada com as cores da bandeira húngara, celebrando a vitória de Péter Magyar e seu partido Tisza.
A atmosfera em Budapeste era de euforia e descrença. Milhares de eleitores, muitos votando pela primeira vez, dançavam pelas ruas, embalados pela esperança de um novo futuro. “Chorei quando marquei o X na minha cédula”, compartilhou Zofia, uma eleitora, enquanto seu grupo gritava em coro: “Russos, voltem para casa!”.
Esta derrota representa um revés significativo para o presidente russo Vladimir Putin, que em Orbán possuía um aliado crucial dentro da União Europeia. Orbán frequentemente atrasou sanções contra a Rússia e bloqueou ajuda financeira à Ucrânia. Conforme relatado, a vitória de Magyar foi rapidamente saudada pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, que expressou expectativa por um “trabalho construtivo” conjunto.
Apesar da congratulação de Zelensky, é provável que o novo governo húngaro adote uma abordagem cautelosa. Embora Magyar tenha prometido a Bruxelas o fim do bloqueio a um empréstimo de US$ 105 bilhões (R$ 524 bilhões) para Kiev, a suspensão do envio de ajuda militar à Ucrânia pode ser mantida para evitar alienar eleitores húngaros. A saída de Orbán, apelidado de “o Obstrutor” em Bruxelas, é vista como um alívio para muitos líderes europeus, que o consideravam uma brecha na frente unida contra Moscou e Pequim.
A derrota de Viktor Orbán na Hungria representa um **golpe significativo para Vladimir Putin**, que perde um de seus principais aliados dentro da União Europeia. Orbán tem sido uma figura constante em atrasar a implementação de sanções contra a Rússia após a invasão da Ucrânia e tem **bloqueado um importante empréstimo da UE para Kiev**, essencial para a sobrevivência ucraniana. A vitória de Péter Magyar, por outro lado, é vista como um **ganho para a Ucrânia**. O presidente Volodymyr Zelensky parabenizou a Hungria pela eleição, indicando uma possível mudança na postura húngara em relação ao conflito.
A eleição marcou o fim de 16 anos de governo de Viktor Orbán, que construiu um sistema que seus críticos chamam de **”democracia iliberal”**. Apesar do controle sobre a mídia estatal e de mudanças no sistema eleitoral para favorecer seu partido, Fidesz, Orbán sofreu uma derrota esmagadora. Ele ascendeu à fama em 1989 pedindo a saída dos russos da Hungria, mas sua trajetória política o levou a estreitar laços com Putin. Críticos usaram sua antiga retórica contra ele, criticando seu longo relacionamento com o presidente russo.
O novo primeiro-ministro, Péter Magyar, é um político de 45 anos, ex-membro do partido de Orbán. Ele se descreve como um nacionalista conservador e promete **reformas abrangentes para “derrubar o regime de Orbán”**, incluindo o enfraquecimento dos laços com a Rússia e a reconstrução de pontes com a Europa. A maioria dos húngaros, no entanto, prioriza questões internas como a melhoria da economia e dos serviços públicos, a redução da inflação e do custo de vida. Magyar, ao ser eleito, declarou: “Esta noite celebramos. Amanhã, mãos à obra!”.
Líderes europeus celebraram a derrota de Orbán. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, descreveu o resultado como “histórico para a democracia europeia”, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a Hungria “escolheu a Europa”. Nos Estados Unidos, a reação pode ser menos eufórica, especialmente entre apoiadores de Donald Trump, que viam Orbán como um aliado próximo. Trump e seus aliados admiravam Orbán como uma figura central da direita nacionalista cristã e “antiglobalista”. A derrota de Orbán pode ser interpretada por alguns como um sinal de estagnação do nacionalismo populista na Europa, embora outros apontem peculiaridades nacionais em outros casos, como na França e Itália.