As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram que irão bloquear o acesso aos portos iranianos a partir desta segunda-feira (13/4). A medida surge após o fracasso das negociações de paz entre os EUA e o Irã no fim de semana, que tinham como foco principal as ambições nucleares iranianas.
O presidente americano, Donald Trump, declarou em redes sociais que instruiu a Marinha a interceptar embarcações que tentem entrar ou sair do Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para a economia mundial e que dá acesso aos principais portos do Irã. Trump afirmou que “ninguém que pague um pedágio ilegal terá passagem segura no alto-mar”.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), o bloqueio será restrito a navios que entram e saem de portos iranianos, não afetando embarcações a caminho de portos não iranianos. Essa decisão ocorre em um momento de alta volatilidade na região, com o Irã respondendo com ameaças de retaliação a qualquer aproximação militar no Estreito de Ormuz.
Donald Trump comentou as negociações conduzidas por seu vice, J.D. Vance, no Paquistão, afirmando que, embora a maioria dos pontos tenha sido acordada, a questão nuclear não foi resolvida. Segundo o presidente, após quase 20 horas de conversas, “há apenas uma coisa que importa — o Irã não está disposto a abrir mão de suas ambições nucleares”.
Trump expressou otimismo, prevendo que o Irã retornará à mesa de negociações e concordará com as demandas americanas. Ele declarou em entrevista que os negociadores dos EUA obtiveram sucesso em quase todos os pontos, exceto o nuclear, e que o Irã não deixou as negociações.
Em contrapartida, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, que liderou a delegação iraniana no Paquistão, declarou que cabe aos EUA conquistarem a confiança do Irã. Ele enfatizou que, apesar da boa-fé iraniana, as experiências de guerras anteriores geraram desconfiança em relação ao lado americano.
Ghalibaf afirmou que a delegação iraniana apresentou propostas voltadas para o futuro, mas o lado americano falhou em conquistar a confiança. Ele também respondeu às ameaças de Trump, dizendo que “essas ameaças não têm efeito sobre os iranianos” e que o país não se renderá sob pressão.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas de energia mais importantes do mundo, conectando produtores do Oriente Médio a mercados na Ásia-Pacífico, Europa e América do Norte. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo consumido globalmente passava por ali, além de gás natural liquefeito e fertilizantes.
A rota é essencial não apenas para a exportação de petróleo e gás, mas também para a importação de alimentos, medicamentos e outros produtos essenciais para o Oriente Médio. A instabilidade na região tem impacto quase imediato nos preços globais, nas cadeias de suprimentos e nas economias de diversos países.
Especialistas em transporte marítimo, como Lars Jensen, diretor-executivo da Vespucci Maritime, indicam que a ameaça de Trump afetaria um fluxo muito pequeno de navios. Jensen ressalta que pouquíssimos navios passam pelo estreito atualmente, e menos ainda pagam pedágios ao Irã, estando já sujeitos a sanções americanas.
O volume de embarcações que passaram pelo estreito desde o anúncio de cessar-fogo foi de pelo menos 60, uma média de 10 por dia, o que representa um aumento em relação ao período anterior, mas ainda é uma fração do volume pré-guerra, quando cerca de 138 navios o atravessavam diariamente. O Irã, por sua vez, afirma que o estreito permanece aberto para a passagem inocente de embarcações não militares.