A recente atuação de Raphinha pela Seleção Brasileira, marcada por um gol na vitória sobre a Austrália, não é apenas um feito individual, mas o reflexo de uma rica herança futebolística. O atacante do Barcelona se consolida como peça chave, mas sua trajetória já trazia o DNA da amarelinha.
Raphinha pertence a uma das duas únicas famílias na história do futebol brasileiro a ter dois representantes em Copas do Mundo. Ao lado dele, está o ídolo gremista Everaldo, campeão em 1970, criando uma conexão especial entre gerações e o amor pela camisa canarinho.
Essa notável coincidência familiar, originária do bairro da Restinga, em Porto Alegre, inspira orgulho e mantém viva a paixão pelo futebol. A história deles, conforme divulgado pela BBC News Brasil, é um testemunho de como o talento e a dedicação podem atravessar o tempo.
Pelo lado materno, Everaldo Marques da Silva, o campeão de 1970, é o elo com o passado glorioso da Seleção. Pelo lado paterno, Raphinha representa o presente e o futuro, mantendo a tradição familiar em alto nível no futebol internacional.
Os primos de Raphinha, Otávio Miguel da Luz Pereira Jr. e Leonardo da Silva Pereira, expressam com orgulho essa herança. Otávio, que reside em Portugal, destaca a peculiaridade de ter o tio-avô campeão do mundo e o sobrinho atuando pela seleção.
Leonardo, em Porto Alegre, reforça o quanto a família para tudo para acompanhar os jogos da Seleção, demonstrando a forte conexão com o time nacional e a admiração pelos feitos de Raphinha e Everaldo.
A família Luz Pereira, de onde Raphinha se origina, vive no bairro da Restinga, em Porto Alegre. A matriarca, Dona Wilma da Luz, com 78 anos, teve um papel fundamental na criação de seus filhos e sobrinhas, incluindo a mãe de Raphinha, Denise Helena Silva da Silva.
Raphinha e seus primos cresceram juntos, compartilhando o quintal da avó. Cinco meninos, em especial, formavam um grupo inseparável, conhecido como “Os Sobrinhos do Capitão”, em referência a personagens de quadrinhos antigos. Eles eram apaixonados por futebol, e Raphinha já se destacava desde cedo.
Guilherme Dias de Souza, primo de Raphinha e advogado, relembra a paixão do atacante pelo esporte: “Raphinha sempre foi doente por futebol. Não sei o que ele seria se não fosse jogador”. Ele também organizava as partidas entre os primos, demonstrando seu talento e liderança.
Apesar do talento, Raphinha enfrentou desafios iniciais. Sua baixa estatura o impediu de ser aproveitado nas categorias de base de Grêmio e Internacional, clubes tradicionais do Rio Grande do Sul. A força física era muito valorizada na época, dificultando a ascensão de jogadores mais franzinos.
No entanto, o talento de Raphinha floresceu no Esporte Clube São José, o Zequinha, e depois teve uma ascensão meteórica no Avaí Futebol Clube, antes de conquistar seu espaço na Europa, culminando em sua ida para o Barcelona e a convocação para a Seleção Brasileira.
Além do futebol, Raphinha e seus primos compartilham o amor pelo pagode. Em 2018, Raphinha, então jogador do Vitória de Guimarães, integrou a banda “Pagode dos Guri” para um show universitário. No entanto, momentos antes de subir ao palco, foi acometido por uma paralisia facial.
Seu primo Otávio o substituiu às pressas. Gabriel Finato, vocalista da banda, descreve Raphinha como “muito engraçado, sempre fazendo brincadeiras e também muito humilde”. A amizade e o companheirismo permanecem fortes, com Raphinha presenteando os amigos com camisas oficiais de seus clubes.
Uma curiosidade marcante na história da família é a data de nascimento de Otávio. Ele nasceu em 27 de outubro de 1992, exatamente 18 anos após a trágica morte de seu avô, Everaldo, em um acidente automobilístico. Sua mãe, Denise Helena Silva da Silva, escolheu a data para “esquecer o dia em que perdeu toda a família”.
Everaldo, sua esposa Cleci Silva da Silva, a filha Deise e a irmã Romilda faleceram na colisão. Denise, então com seis anos, seu tio Jardelino e a cunhada Maria Madalena sobreviveram. Denise guarda memórias emocionantes de seu pai, como desfilar em seu colo em um caminhão após a conquista da Copa de 1970.
Apesar das perdas, o laço familiar se fortaleceu. Denise considera os primos de Otávio e Leonardo como seus próprios sobrinhos, demonstrando o profundo afeto e a união que permeiam essa família de craques e apaixonados por futebol.