Em um editorial contundente, a influente revista britânica The Economist traçou um panorama sombrio para o futuro do Brasil, comparando o país a um avião “parado na pista” diante de mais uma eleição desanimadora. A publicação aponta para um cenário de pouca esperança, marcado pelo confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a família Bolsonaro.
Segundo a revista, nenhum dos dois principais candidatos se mostra convincente para enfrentar os desafios cruciais do país, como a corrupção endêmica e a expansão descontrolada dos gastos públicos. A análise da The Economist contrasta as riquezas naturais e a diversidade do Brasil com uma economia que, segundo eles, estagnou em relação a seus pares globais.
A publicação relembra um otimismo passado, como a capa de 2009 “Brazil takes off”, e um pessimismo posterior em 2013, questionando se o Brasil havia perdido a chance de ser o “país do futuro”. Agora, a revista sugere que o futuro brilhante do país ficará em suspenso por mais quatro anos, com os brasileiros comuns sentindo-se sem esperança diante das opções apresentadas. Conforme informação divulgada pela The Economist.
A The Economist critica a falta de propostas concretas para a economia, tanto de Lula quanto de Bolsonaro. Sobre o presidente Lula, a revista reconhece uma postura correta em relação ao meio ambiente, mas ressalta que ele “fez muito pouco para impulsionar o crescimento econômico ou conter os gastos públicos”, sem conseguir promover reformas econômicas significativas.
A publicação também chama atenção para a idade de Lula, comparando-o a Joe Biden, que desistiu de sua candidatura à reeleição nos EUA aos 81 anos. Já Flávio Bolsonaro é descrito como alguém que “nega que os seres humanos estejam causando as mudanças climáticas, questiona a integridade das urnas eletrônicas e insinua que não respeitará o resultado caso Lula vença”.
Apesar do cenário eleitoral desolador, a The Economist aponta que muitas instituições vitais do Brasil ainda funcionam. A revista elogia a imprensa “feroz e independente”, a diplomacia “respeitada em todo o mundo” e até mesmo o Supremo Tribunal Federal (STF), que, “apesar de suas muitas falhas, foi capaz de mandar para a prisão alguém que conspirou por um golpe de Estado”, em referência a Jair Bolsonaro.
A publicação também menciona a candidatura de Renan Santos (Missão) como a que mais se “aproxima do que o momento exige”, mas lamenta que nenhum candidato “outsider” tenha conseguido avançar contra as “máquinas políticas rivais” de Lula e Bolsonaro, levando o país a uma “crise previsível”.
A revista pinta um cenário “provável” de crise econômica, com forte aceleração do endividamento e dos custos de financiamento do governo, gerando inflação e recessão. A The Economist sugere que “talvez somente então os brasileiros se voltem para alguém disposto a defender a impopular ideia de que serão necessários sacrifícios para construir um futuro em que um país tão abençoado nunca mais seja condenado a escolher entre dois candidatos tão desoladores”.
O editorial conclui que o futuro do Brasil permanecerá em suspenso, mas que o país “não está totalmente morto”, indicando que a resiliência de suas instituições pode ser um caminho para superar os desafios atuais.