A tripulação da missão Artemis 2 fez um retorno triunfante à Terra nesta sexta-feira (10/4), pousando com sucesso no Oceano Pacífico após uma jornada de nove dias que os levou à maior distância já registrada em um voo tripulado. A cápsula Orion enfrentou temperaturas extremas durante a reentrada atmosférica, mas o escudo térmico suportou o calor intenso, equivalente à metade da temperatura da superfície do Sol.
O comandante Reid Wiseman expressou o alívio e a satisfação da equipe, declarando: “Que jornada!”. A missão, que testou os limites da exploração espacial tripulada, abre caminho para as próximas fases do programa Artemis, com o objetivo ambicioso de estabelecer uma presença humana sustentável na Lua e, eventualmente, em Marte.
Conforme divulgado pela NASA, a missão Artemis 2 cumpriu todos os seus objetivos, com o desempenho do foguete, da espaçonave e da tripulação superando as expectativas dos engenheiros. O retorno seguro da tripulação é um marco crucial para a continuidade do programa espacial, conforme relatado pela agência espacial.
Cerca de uma hora e meia após o pouso no Oceano Pacífico, os astronautas Reid Wiseman, Jeremy Hansen, Victor Glover e Christina Koch foram resgatados em segurança. Eles foram transportados para um navio da Marinha dos Estados Unidos, onde passaram por avaliações médicas iniciais. Um oficial médico confirmou que os quatro astronautas estão “se sentindo muito bem”, demonstrando a resiliência da tripulação após os desafios da missão.
A fase de retorno era considerada a mais crítica da missão, e o pouso foi classificado pela NASA como “um pouso perfeito”. A descida até o oceano levou cerca de 13 minutos, com o acionamento de paraquedas para reduzir a velocidade da cápsula Orion antes do impacto com a água. O sucesso desta etapa é fundamental para a confiança nas futuras missões do programa Artemis.
Jared Isaacman, chefe da agência, celebrou o retorno: “Estamos de volta à ativa, enviando astronautas à Lua. Este é apenas o começo.” A diretora de voo, Rick Henfling, descreveu momentos de apreensão seguidos por um grande alívio quando a escotilha da cápsula foi aberta, confirmando o bem-estar da tripulação. “A tripulação está feliz e saudável, pronta para voltar para casa, em Houston”, afirmou.
Lori Glaze, administradora adjunta interina da NASA, elogiou o desempenho individual e o “trabalho em equipe” e a “camaradagem” demonstrados pelos astronautas. Ela destacou que a missão “era uma missão para toda a humanidade”, ressaltando o caráter colaborativo do programa espacial.
A reentrada na atmosfera terrestre representou um dos momentos de maior risco da missão. A cápsula Orion enfrentou temperaturas de até 2.760°C, exigindo um escudo térmico robusto. A NASA conduziu a operação com cautela, especialmente após a missão Artemis 1, quando danos no escudo térmico levaram a uma investigação que atrasou a Artemis 2. No entanto, desta vez, tudo ocorreu conforme o planejado.
Um dos principais objetivos da Artemis 2 é estudar os efeitos da radiação do espaço profundo no corpo humano, um conhecimento essencial para missões de longa duração. Embora a missão tenha sido relativamente curta, a ausência de gravidade pode levar à perda de massa muscular e óssea. Contudo, os impactos na saúde dos astronautas da Artemis 2 devem ser limitados, comparados a estadias mais longas na Estação Espacial Internacional.
Após os exames médicos e a recuperação, a tripulação seguirá para Houston, onde dados fisiológicos e operacionais da missão serão analisados. O sucesso da Artemis 2 reforça a disputa estratégica com a China na exploração lunar e prepara o terreno para futuras missões tripuladas à superfície da Lua e, eventualmente, a Marte, como mencionado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que parabenizou a tripulação e os convidou à Casa Branca.
A missão Artemis 2, iniciada em 1º de abril, não teve como objetivo pousar na Lua, mas sim realizar um sobrevoo do seu lado oculto, permitindo que os astronautas observassem pela primeira vez áreas nunca antes vistas por humanos. Além disso, a nave bateu o recorde de maior distância percorrida por humanos no espaço, alcançando 406.771 km da Terra em 6 de abril, superando a Apollo 13.