As delegações dos Estados Unidos e do Irã se reúnem no Paquistão neste fim de semana para negociações de paz, em um momento de esperança por um avanço diplomático, mas também de incertezas sobre as condições para um acordo duradouro. As conversas ocorrem após um cessar-fogo de duas semanas mediado pelo Paquistão.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, descreveu o encontro como um momento de “tudo ou nada” para a resolução do conflito. Ele expressou orgulho pela mediação do país, que goza da confiança de ambas as partes, mas a viabilidade de um acordo que satisfaça a ambos permanece em aberto.
A delegação iraniana, liderada pelo presidente do parlamento Mohammad-Bagher Ghalibaf, chegou a Islamabad com pré-condições significativas, incluindo um cessar-fogo no Líbano e o descongelamento de bilhões de dólares em ativos iranianos. Por outro lado, a equipe americana, chefiada pelo vice-presidente JD Vance, demonstra otimismo cauteloso, mas alerta contra tentativas de engano, conforme informações divulgadas.
A continuidade dos ataques de Israel contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã no Líbano, representa um obstáculo imediato para as negociações. O Irã considera essas ações uma grave violação do cessar-fogo acordado, enquanto EUA e Israel afirmam que o Líbano não fazia parte do acordo. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, alertou que “a continuidade dessas ações tornará as negociações sem sentido”.
Enquanto Israel afirma que “não há cessar-fogo” em relação ao Hezbollah, avisos de evacuação para áreas de Beirute ainda não resultaram em novos ataques. Negociações diretas entre Israel e Líbano estão previstas para ocorrer em Washington na próxima semana, segundo o Departamento de Estado americano.
A situação no Estreito de Ormuz, por onde transita grande parte do petróleo mundial, é outro foco de tensão. O Irã tem consolidado seu domínio sobre a rota, declarando-a como águas soberanas e impondo novas regras de trânsito, o que gerou acusações de Trump sobre cobranças “desonestas” a petroleiros.
Centenas de embarcações e milhares de marinheiros permanecem retidos no Golfo. Em resposta, representantes de 41 países se reunirão sob liderança do Reino Unido para discutir a reabertura do estreito, buscando um “mecanismo para reabrir o estreito”, conforme declarado por uma fonte governamental.
A questão nuclear, um dos pontos de discórdia mais antigos, continua sendo um grande desafio. O Irã alega que nunca buscou armas nucleares e tem direito ao enriquecimento de urânio para fins civis, conforme o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Sua proposta de 10 pontos inclui o reconhecimento internacional desse direito.
Por outro lado, o plano dos EUA, segundo relatos, exige o fim de todo o enriquecimento de urânio em território iraniano. A complexidade reside na reedição de acordos como o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) de 2015, que abordou essa questão detalhadamente.
A rede de aliados regionais do Irã, como Hezbollah, Houthis e Hamas, confere ao país influência, mas também o expõe a ataques e críticas internas. Muitos iranianos desejam que o governo invista mais no bem-estar interno do que em “aventuras no exterior”.
O regime islâmico também busca o alívio das sanções internacionais que o afligem há décadas. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que cerca de US$ 120 bilhões em ativos iranianos congelados deveriam ser liberados antes do início das negociações, sendo esta uma das duas medidas previamente acordadas, juntamente com o cessar-fogo no Líbano.