O Reino Unido anunciou o envio de tropas e sistemas de defesa aérea para o Oriente Médio, em uma medida de caráter estritamente defensivo contra potenciais ataques do Irã. A decisão visa reforçar a segurança na região, elevando para aproximadamente 1.000 o total de militares britânicos envolvidos na defesa do Golfo e de Chipre.
O secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, detalhou que equipes e sistemas adicionais de defesa aérea serão direcionados para Arábia Saudita, Bahrein e Kuwait. Além disso, o uso de jatos Typhoon no Qatar será estendido. O sistema de mísseis de defesa aérea Sky Sabre, capaz de interceptar munições e aeronaves, será enviado à Arábia Saudita ainda esta semana, integrando-se às defesas aéreas regionais.
Em viagem pelos países do Golfo, Healey afirmou: “Minha mensagem aos parceiros do Golfo é: o que o Reino Unido tem de melhor ajudará vocês a defender seus céus”. A ação britânica ocorre em um contexto de crescentes tensões, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticando a postura de alguns aliados da Otan, incluindo o Reino Unido, em relação à guerra.
Donald Trump dirigiu críticas ao Reino Unido e a outros países da Otan que, segundo ele, não participaram ativamente dos ataques contra o Irã. Em uma publicação na rede social Truth Social, o presidente dos EUA declarou que países que enfrentam dificuldades no fornecimento de combustível de aviação devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, deveriam “buscar seu próprio petróleo”.
“Todos esses países que não conseguem combustível de aviação por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a participar da decapitação do Irã, tenho uma sugestão para vocês: Número 1, comprem dos EUA, nós temos de sobra, e Número 2, criem um pouco de coragem tardia, vão ao Estreito e simplesmente TOMEM”, escreveu Trump, acrescentando que as nações “terão de começar a aprender a lutar por si mesmas”.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, reiterou na segunda-feira que o país “não vai ser arrastado para esta guerra”, mas que continuará defendendo seus interesses e aliados na região. Starmer enfatizou que tropas britânicas não serão enviadas para atuar em solo iraniano, declarando: “Esta guerra não é nossa e não vamos ser arrastados para ela”.
Anteriormente, o Reino Unido autorizou os EUA a utilizarem bases militares britânicas para ataques “defensivos” contra locais de lançamento de mísseis iranianos. Essa permissão veio após Starmer recusar um pedido para usar bases britânicas nos ataques iniciais dos EUA e de Israel contra o Irã em fevereiro, sinalizando uma abordagem cautelosa.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou na segunda-feira que a ofensiva militar “definitivamente ultrapassou a metade”, esclarecendo posteriormente que se referia a missões, não a tempo. Segundo Netanyahu, a guerra resultou na morte de “milhares” de membros da Guarda Revolucionária do Irã, e Israel e os EUA estariam “perto de acabar com a indústria armamentista” iraniana, destruindo fábricas e o programa nuclear do país.
Relatos indicam que Donald Trump teria expressado a assessores sua disposição em encerrar a campanha militar contra o Irã, mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça parcialmente fechado. A Casa Branca, questionada sobre o assunto, remeteu a comentários do secretário de Estado americano, Marco Rubio, de que o estreito “reabrirá de uma forma ou de outra”. Trump também reiterou ameaças de “aniquilar” usinas de energia e poços de petróleo iranianos caso um acordo não seja alcançado “em breve”.
O Irã, por meio de um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, negou veementemente ter havido negociações com autoridades americanas. Esmaeil Baqaei afirmou que o Irã “não negociou com os EUA nestes 31 dias” de guerra, referindo-se à duração do conflito. Ele explicou que o que ocorreu foi o envio de um pedido de negociação com propostas dos EUA, recebidas por meio de intermediários, mas reiterou que a posição iraniana é de defesa enquanto a “agressão militar e a invasão americana continuam”.
As Forças de Defesa de Israel informaram a morte de quatro soldados e dois feridos em combate no sul do Líbano. A terça-feira começou com uma nova onda de ataques israelenses contra Teerã, horas após a suposta identificação de mísseis iranianos em direção a Israel. Ataques também foram registrados em Dubai, onde um navio com dois milhões de barris de petróleo em direção à China foi incendiado após um ataque de drone iraniano.
Quatro pessoas ficaram feridas no incidente em Dubai, que ocorreu perto de uma casa abandonada. O navio, pertencente à Kuwait Oil Tanker Company, transportava uma carga significativa de petróleo bruto saudita e kuwaitiano. O Ministério de Defesa dos Emirados Árabes confirmou que sons ouvidos no país eram de interceptações de mísseis balísticos, de cruzeiro e drones.
O exército do Kuwait também relatou a interceptação de ataques de drones e mísseis. Na Arábia Saudita, destroços de um drone abatido danificaram seis casas, sem feridos. Em Sharjah, nos Emirados Árabes, um drone de origem israelense teve como alvo o edifício administrativo da Companhia de Telecomunicações Thuraya. Explosões foram ouvidas em Teerã, levando à interrupção do fornecimento de energia em algumas partes da cidade, segundo a mídia local.
Em paralelo, uma comissão parlamentar no Irã aprovou planos para impor pedágios ao tráfego no Estreito de Ormuz. Segundo a agência de notícias Fars, navios americanos, israelenses e de países que aderiram às sanções contra o Irã seriam proibidos de transitar. O Irã afirma que implementará o novo sistema em cooperação com Omã. Cerca de 20% do petróleo bruto mundial passa por esta vital via marítima, e desde o início da guerra, as travessias caíram drasticamente.