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Congresso do Peru Afasta Presidente José Jerí em Meio a Escândalos e Abre Nova Crise Política

O cenário político peruano entrou em ebulição nesta terça-feira (17/2) com a derrubada do presidente José Jerí pelo Congresso. A decisão, tomada por 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções, deixa a Presidência vaga e inaugura um novo capítulo de instabilidade no país.

Jerí, que permaneceu no cargo por apenas quatro meses, foi vítima de uma avalanche de escândalos que culminaram em sua destituição. Sua saída o consagra como o oitavo presidente do Peru em um período de dez anos, um feito inédito e preocupante na América do Sul.

A queda de Jerí é o reflexo direto das polêmicas que o cercaram nas últimas semanas, levantando sérias dúvidas sobre sua conduta e idoneidade. A imprensa peruana apelidou os escândalos de “chifagate” e “contratagate”, evidenciando a gravidade das acusações, conforme divulgado por fontes de conteúdo jornalístico.

O “Chifagate” e o Encontro Misterioso com Empresários Chineses

Um dos episódios que selou o destino de Jerí foi sua participação em uma reunião secreta com empresários chineses em um restaurante de “chifa”, comida de origem chinesa popular no Peru. O encontro, realizado em dezembro passado e captado por câmeras de segurança, não constava na agenda oficial do presidente.

Jerí inicialmente alegou que a conversa versava sobre como “fazer algo diferente” para a celebração do Dia da Amizade Sino-Peruana. No entanto, a situação se agravou quando veio à tona que um dos empresários presentes, Xiaodong Ji Wu, estava em prisão domiciliar por suposta participação em tráfico ilegal de madeira.

O presidente do Conselho de Ministros, Ernesto Álvares, chegou a defender Jerí, sugerindo que ele teria sido vítima de uma “armadilha” e que o Palácio de Governo carecia de filtros para identificar convidados sob investigação. Apesar disso, o Ministério Público iniciou uma investigação preliminar por supostos crimes de patrocínio ilegal e tráfico de influência.

O “Contratagate”: Jovens Contratadas pelo Estado Após Encontros no Palácio

Poucos dias após o escândalo do “chifa”, novas denúncias abalaram a Presidência. Veículos de comunicação revelaram que o presidente teria recebido um grupo de jovens mulheres no Palácio de Governo, as quais, posteriormente, teriam sido beneficiadas com contratos com o Estado.

Relatos indicaram que até 11 jovens obtiveram contratos estatais, embora algumas tenham pedido demissão após a repercussão negativa. Jerí defendeu as contratações, afirmando que eram pessoas de sua confiança, necessárias para reestruturar o governo. Ele considerou injustas as insinuações de que as contratações se deram unicamente por proximidade ou por serem mulheres.

Procedimento Polêmico e a Sétima Troca de Poder em Dez Anos

A forma como Jerí foi afastado também gerou controvérsia. Em vez de seguir o procedimento de “incapacidade moral permanente” previsto na Constituição, que exige mais votos, o Congresso optou pela moção de censura contra ele como presidente do Congresso. Este método requer apenas maioria simples, sendo considerado por alguns constitucionalistas como um “golpe de Estado” na prática.

A saída de José Jerí não apenas encerra um breve e turbulento mandato, mas também reforça a **instabilidade política crônica do Peru**. O país se consolida como um exemplo singular de rotatividade presidencial na região, com o Congresso assumindo um papel central nas decisões do Poder Executivo.

Histórico Conturbado e Declarações Controversas

Além dos recentes escândalos, o passado de Jerí também pesou em sua queda. Ele já havia enfrentado acusações de estupro, caso em que a Justiça determinou seu submetimento a tratamento psicológico. Comentários e publicações em suas redes sociais, considerados sexistas por críticos, também contribuíram para a imagem negativa do presidente.

As tentativas de Jerí de se apresentar como um líder firme contra a criminalidade, em um país assolado por altos índices de roubos e extorsão, não foram suficientes para reverter a percepção pública e a falta de apoio no Parlamento. A constante dança das cadeiras na Presidência peruana continua sendo um dos maiores desafios para a estabilidade e o desenvolvimento do país.

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