Em um desfecho que agitou o cenário político português, António José Seguro, candidato do Partido Socialista (PS), foi eleito presidente de Portugal neste domingo (8/2). As projeções de boca de urna apontam para uma vitória significativa sobre seu oponente, André Ventura, líder do partido de direita radical Chega.
Seguro, ex-secretário-geral do PS, apostou em um discurso moderado durante toda a campanha, buscando o apoio de eleitores de centro. Sua estratégia parece ter sido bem-sucedida, consolidando sua candidatura como a preferida por uma parcela expressiva do eleitorado português.
A disputa presidencial ocorreu em um contexto de polarização política no país, com Ventura apresentando uma plataforma focada em temas como a imigração. A vitória de Seguro, segundo as projeções, indica um desejo por estabilidade e moderação no país.
Conforme as projeções da Universidade Católica, divulgadas pela emissora pública RTP, António José Seguro obteve entre 68% a 73% dos votos. Às 18h deste domingo (horário de Brasília), com cerca de 80% das urnas apuradas, Seguro já reunia 66% dos votos, confirmando a tendência de sua vitória.
Em suas primeiras declarações à imprensa, antes de se juntar aos seus apoiadores para comemorar, António José Seguro afirmou que “o povo português é o melhor povo do mundo”, ressaltando a “responsabilidade cívica enorme” demonstrada pelos eleitores.
André Ventura, líder do Chega, prontamente reconheceu sua derrota logo após o anúncio das projeções. “Ele venceu. Desejo-lhe um excelente mandato”, disse Ventura, que compareceu a uma missa antes de se pronunciar.
Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, também admitiu a vitória da esquerda, mas fez questão de declarar que seu partido se considera “o grande vencedor da direita”. Ele ressaltou que o Chega “provou que vinha para ser diferente” e que lutou contra um sistema “que se uniu contra nós”.
Portugal opera sob um regime semipresidencialista parlamentar, onde o poder executivo é exercido pelo primeiro-ministro, indicado após eleições legislativas e dependente de apoio no Parlamento. Desde 2024, Luís Montenegro, do Partido Social Democrata (PSD), lidera o governo.
O presidente, eleito por voto direto, possui um poder moderador fundamental. Ele pode vetar leis, devolver propostas ao Parlamento, dar posse ao primeiro-ministro e, em último caso, dissolver o Parlamento e convocar novas eleições. Essa prerrogativa é conhecida como a “bomba atômica” do cargo.
Nesse contexto, António José Seguro terá um papel decisivo para garantir a estabilidade do governo minoritário de centro-direita liderado pelo PSD. Sua eleição foi apoiada por figuras políticas moderadas, incluindo ex-presidentes e prefeitos de grandes cidades.
Apesar da derrota de André Ventura, a ida do Chega ao segundo turno foi vista como um “trunfo da direita radical”. O crescimento do partido tem sido um dos fenômenos mais marcantes na política portuguesa recente, saltando de 1,3% em 2019 para 22,8% nas legislativas de 2025.
Analistas apontam que, se Ventura tivesse alcançado entre 30% e 35% dos votos, sua agenda ganharia ainda mais peso político. Mesmo sem atingir esse patamar, o Chega se consolida como uma força significativa na direira portuguesa, com 60 cadeiras no Parlamento.
A votação ocorreu em meio a fortes tempestades, que levaram Ventura a pedir o adiamento das eleições. No entanto, as autoridades eleitorais mantiveram a data, permitindo apenas adiamentos pontuais em algumas localidades afetadas.