A jornalista Eve Simmons relata ter sido pega de surpresa quando seu marido pediu o divórcio, apenas seis meses após o casamento. “Fiquei totalmente devastada”, contou ao programa Woman’s Hour, da BBC. Anos depois, ela enxerga a separação como “a melhor coisa que já me aconteceu”. Essa experiência a levou a perceber que muitos passam por términos inesperados de relacionamentos que, no fundo, já não funcionavam mais.
Conversar abertamente sobre os sentimentos e as expectativas é crucial para a saúde de qualquer relacionamento. Quando a comunicação falha, surgem tensões silenciosas que podem minar a relação. A psicoterapeuta Lucy Beresford aponta que a falta de diálogos genuínos é um forte indicativo de crise. Em vez de resolver problemas, muitos casais optam por evitar conflitos, gerando um acúmulo de ressentimentos.
A falta de intimidade e o distanciamento emocional também são sinais de alerta. Mudanças consistentes no comportamento do parceiro, como a diminuição do afeto ou do interesse em atividades conjuntas, não devem ser ignoradas. Terapia de casal e a dedicação em entender as necessidades um do outro podem ser caminhos para a reconciliação, como no caso de Katie Smith e seu marido, que superaram uma fase difícil após dez anos de casamento.
A vida a dois é feita de mudanças e aprendizados. As necessidades individuais evoluem com o tempo, e é fundamental que o casal acompanhe essas transformações. Lucy Beresford aconselha a nunca se acomodar em um relacionamento que não traz mais felicidade ou crescimento. É importante valorizar seus próprios desejos e os do parceiro, buscando um equilíbrio que permita que ambos se sintam realizados.
Um ponto de virada, segundo Beresford, é quando a pergunta “será que posso ir embora?” se transforma em “eu preciso ir embora”. Margot Davis vivenciou isso após uma conversa sobre planos futuros com seu parceiro. Percebeu que, apesar do amor, as personalidades distintas poderiam ser um obstáculo na criação de filhos. A decisão de terminar, embora difícil, abriu caminho para um novo relacionamento e planos mais alinhados.
Na era dos aplicativos de namoro, a sensação de segurança em um relacionamento pode levar à permanência em um vínculo infeliz. Lucy alerta que “não há nada pior do que se sentir sozinho em um relacionamento”. A especialista incentiva a acreditar que se **merece amor e felicidade**, e que a questão não é “e se falhar?”, mas sim “e se eu acertar?”. Reconhecer o próprio valor é o primeiro passo para construir um futuro mais promissor.