Após meses de uma relação marcada por conflitos e acusações mútuas, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, realizou sua primeira visita oficial à Casa Branca para um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião, que ocorreu a portas fechadas, durou cerca de duas horas e abordou temas cruciais como o combate ao tráfico de drogas, sanções e a situação na Venezuela.
Ao final do encontro, ambos os líderes trocaram elogios, descrevendo a conversa como cordial e abrindo um caminho para o diálogo. Essa aproximação representa uma clara redução nas tensões que prevaleciam desde o início do segundo mandato de Trump, quando o presidente americano chegou a chamar Petro de “traficante de drogas”.
Apesar das divergências passadas, a reunião na Casa Branca, conforme divulgado pela BBC Mundo, sinaliza uma nova etapa nas relações bilaterais. Petro destacou a importância do encontro como um exemplo de que “pessoas diferentes, regimes diferentes, formas diferentes de pensar, poderes diferentes […] possam se encontrar”, reforçando que não houve “qualquer tipo de humilhação” durante a conversa.
Durante a reunião, Gustavo Petro teve a oportunidade de apresentar a Donald Trump os resultados de sua política antidrogas, um dos principais pontos de discórdia entre Washington e Bogotá. Petro defendeu uma estratégia focada em atacar as estruturas financeiras e logísticas do narcotrágico, e não apenas os elos armados. Ele compartilhou dados sobre apreensões significativas, como 15 toneladas de cocaína em dois dias, ressaltando a importância da cooperação internacional.
Em uma coletiva de imprensa na Embaixada da Colômbia em Washington, Petro revelou ter entregado a Trump uma lista com os nomes daqueles que considera “os chefões dos chefões” do narcotrãfico internacional. Segundo o presidente colombiano, esses criminosos operam globalmente, com bens em cidades como Dubai, Madri e Miami, e seus nomes já seriam conhecidos pelas agências americanas.
A situação da Venezuela também esteve em pauta durante o encontro. Petro expressou otimismo quanto a uma possível reativação do país com a ajuda da Colômbia e definiu o papel dos Estados Unidos nesse processo. Ele ressaltou a importância de se buscar um “pacto entre forças opostas” e a necessidade de evitar confrontos desnecessários entre nações com diferentes visões políticas.
A reabertura e revitalização das fronteiras foram defendidas por Petro como um instrumento eficaz no combate ao narcotrãfico. Ele citou o aumento significativo do comércio legal entre Colômbia e Venezuela após a reabertura da fronteira, contrastando com o período em que a cocaína era a mercadoria mais comercializada entre os dois países.
Gustavo Petro utilizou as redes sociais para compartilhar os presentes recebidos de Trump, incluindo um exemplar do livro “Trump: A Arte da Negociação” com uma dedicatória do presidente americano: “Você é ótimo”. Em outra publicação, Petro mostrou uma foto com uma mensagem de Trump: “Gustavo, uma grande honra. Amo a Colômbia”. Esses gestos simbolizam uma mudança significativa na dinâmica das relações entre os dois líderes.
Analistas consultados pela BBC Mundo indicam que a relação entre Petro e Trump, assim como os desdobramentos desta reunião, podem ter uma influência considerável nas próximas eleições presidenciais americanas, previstas para maio.
Apesar da cordialidade demonstrada após a reunião, a relação entre Trump e Petro foi marcada por confrontos públicos. Meses antes, Trump acusou Petro de ser um “traficante de drogas”, enquanto o presidente colombiano o descreveu como rude e ignorante. Em setembro do ano passado, Washington retirou a certificação de aliado antidrogas da Colômbia, o que resultou na suspensão de subsídios e pagamentos ao país.
A tensão se intensificou quando Trump, em uma publicação na rede social Truth Social, reiterou suas acusações contra Petro. O presidente colombiano respondeu nas redes sociais, sugerindo que Trump estava sendo “enganado por seus assessores” e recomendando que ele observasse “de que lado estão os narcotraficantes e de que lado estão os democratas”.
As farpas públicas ocorreram após Petro acusar Washington de violar a soberania colombiana em um ataque que teria resultado na morte de um pescador colombiano. Posteriormente, após a captura de Nicolás Maduro, Trump sugeriu que uma ação semelhante na Colômbia “seria uma boa ideia”, o que levou Petro a insinuar uma disposição para o confronto, referindo-se ao seu passado como guerrilheiro.