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A expansão territorial dos Estados Unidos: uma história de compras, guerras e ambições.

A ideia de Donald Trump de comprar a Groenlândia para os Estados Unidos não é uma novidade na história americana. Desde sua fundação, o país tem um histórico de expansão territorial, utilizando diversos meios para aumentar sua influência e riqueza. Essa ambição de crescimento e a busca por novos horizontes remetem a tradições antigas.

Historiadores apontam que as políticas expansionistas dos EUA, como a Doutrina Monroe de 1823, justificavam a intervenção no hemisfério ocidental contra potências europeias. A necessidade de controlar territórios antes que caíssem em mãos rivais também foi um fator crucial em muitas aquisições.

A expansão americana foi marcada por guerras, submissão de povos originários e acordos com nações europeias. No entanto, a compra de territórios de outros Estados soberanos, como a proposta para a Groenlândia, foi um mecanismo recorrente e fundamental para a formação do vasto país que conhecemos hoje. Conforme informação divulgada pela BBC News Mundo, estes são alguns dos episódios mais marcantes dessa trajetória.

A Compra da Louisiana: A Primeira Grande Expansão

Em 1803, sob a presidência de Thomas Jefferson, os Estados Unidos realizaram sua primeira grande aquisição territorial ao comprar o vasto território da Louisiana da França napoleônica por US$ 15 milhões. Napoleão Bonaparte, precisando de fundos para suas guerras na Europa, aceitou vender a área que já não possuía o mesmo valor estratégico após a revolta de escravos no Haiti.

Essa compra, que quase dobrou o tamanho dos Estados Unidos, garantiu o controle do estratégico porto de Nova Orleans e do vale do Mississippi. A expansão para o oeste, vista por Jefferson como o futuro da nação, começou com esta monumental aquisição de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados.

A Cessão Mexicana: Territórios Cobiçados e Guerra

Na década de 1840, impulsionados pelo conceito de “destino manifesto”, os Estados Unidos voltaram seus olhos para o oeste. O presidente James K. Polk liderou o país em uma guerra contra o México, motivada, em parte, pelo interesse na Califórnia, uma região economicamente vibrante e com portos cobiçados para o comércio com a Ásia.

A Guerra Mexicano-Americana culminou no Tratado de Guadalupe Hidalgo, em 1848, pelo qual o México cedeu o Texas, Califórnia, Novo México, Arizona, Nevada, Utah e partes de outros quatro estados aos EUA, em troca de US$ 15 milhões. O México perdeu mais da metade de seu território, um evento que gerou um trauma nacional duradouro.

A Venda de La Mesilla e a Compra do Alasca

Em 1853, o México, enfrentando dificuldades financeiras, concordou em vender uma pequena faixa de terra ao sul do Arizona e Novo México para os EUA por US$ 10 milhões. Conhecida como Venda de La Mesilla no México e Compra de Gadsden nos EUA, a transação foi impulsionada pelo interesse americano em construir uma ferrovia transcontinental no sul.

Em 1867, os Estados Unidos surpreenderam ao comprar o vasto território do Alasca da Rússia czarista por US$ 7,2 milhões. Apesar das críticas iniciais, que chamaram a aquisição de “a estupidez de Seward”, a descoberta posterior de ouro e petróleo, além da importância estratégica durante a Guerra Fria, provou o valor da decisão do Secretário de Estado William Seward.

A Compra das Ilhas Virgens Americanas: Um Eco Histórico

A última vez que os Estados Unidos compraram um território foi em 1917, adquirindo as Ilhas Virgens Dinamarquesas do Caribe da Dinamarca por US$ 25 milhões. O interesse americano por essas ilhas, especialmente pelo porto de Saint Thomas, remonta à metade do século XIX, com um primeiro acordo fracassado em 1867.

A ameaça de que a Alemanha pudesse adquirir as ilhas durante a Primeira Guerra Mundial reacendeu o interesse de Washington. Conforme Astrid Andersen, do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais, os EUA fizeram uma proposta firme: “ou vocês nos vendem, ou iremos invadir”. Como parte do acordo, os EUA concordaram em não se opor aos interesses dinamarqueses na Groenlândia, um eco da complexa relação territorial que perdura até hoje.

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