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EUA apreendem dois navios petroleiros em águas internacionais ligados à Venezuela, um deles com bandeira russa

A Guarda Costeira dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (7 de janeiro) a apreensão de dois navios petroleiros que teriam ligações com a Venezuela. A operação, descrita como “meticulosamente coordenada” pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, visou embarcações da chamada “frota fantasma”.

Um dos navios, o Marinera, de bandeira russa, foi interceptado no Mar do Atlântico Norte. O outro, o Sophia, foi detido em águas internacionais próximas ao Caribe. Ambas as ações ocorreram com poucas horas de diferença, segundo as autoridades americanas.

Segundo a secretária Noem, os petroleiros “tinham atracado pela última vez na Venezuela ou estavam a caminho do país”. A apreensão dessas embarcações, que supostamente violam sanções americanas, acirra as tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela, além de gerar um incidente diplomático com a Rússia. Conforme informação divulgada pelas autoridades americanas.

Marinera: O Navio Fantasma com Histórico de Violações

O navio Marinera, anteriormente conhecido como Bella 1 e com histórico de ter transportado petróleo venezuelano, estava com bandeira da Rússia. A embarcação é acusada de violar sanções americanas e, segundo relatos, estaria transportando petróleo iraniano, embora houvesse indicativos de que estaria vazia no momento da apreensão. O navio estaria tentando “evadir a Guarda Costeira há semanas”, de acordo com Noem.

A operação para apreender o Marinera contou com o apoio das Forças Armadas britânicas. Um comunicado do governo do Reino Unido afirmou que o navio “integra um eixo russo-iraniano de evasão de sanções que está alimentando terrorismo, conflito e miséria”.

O Ministério dos Transportes da Rússia reagiu, declarando que “nenhum Estado tem o direito de usar força contra embarcações devidamente registradas nas jurisdições de outros países”. O governo russo informou ter perdido contato com o navio e que ele recebeu “permissão temporária” para navegar sob bandeira russa em 24 de dezembro. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia solicitou aos EUA que garantam “tratamento humano e adequado aos cidadãos russos a bordo”.

Sophia: Interceptação em Operação Pré-Amanhecer

O segundo navio apreendido foi o Sophia, descrito como um “petroleiro motorizado sem bandeira, sancionado e pertencente à frota fantasma”. A interceptação ocorreu em uma operação antes do amanhecer no Caribe, segundo o Comando Sul dos EUA.

O comunicado militar afirmou que o M/T Sophia “estava operando em águas internacionais e realizando atividades ilícitas no mar do Caribe”. A embarcação está sendo escoltada para os Estados Unidos. O presidente Donald Trump havia anunciado no mês passado a ordem de um “bloqueio” a petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela, o que o governo venezuelano classificou como “roubo”.

Direito Internacional e a Busca por Sanções

De acordo com o direito internacional, navios que carregam a bandeira de um país estão sob a proteção dessa nação. No entanto, analistas apontam que a mudança de nome e bandeira de um navio pode não ser suficiente para evitar ações de fiscalização.

A ação dos EUA é motivada pela identidade subjacente do navio, redes de propriedade e histórico de sanções, e não apenas por suas marcas ou bandeira. A mudança para o registro russo pode gerar “atrito diplomático”, mas não impediria a fiscalização americana, segundo especialistas em inteligência marítima.

Tensões Diplomáticas e Histórico de Acusações

A Rússia expressou preocupação com a situação do navio russo, afirmando que ele navegava em conformidade com o direito marítimo internacional em águas internacionais. O Ministério das Relações Exteriores russo acusou os EUA de darem “atenção crescente e claramente desproporcional” ao navio.

Anteriormente, o presidente Trump acusou o governo venezuelano de usar navios para transportar drogas para os EUA. A apreensão dos petroleiros intensifica o embate diplomático e as sanções impostas pelos Estados Unidos à Venezuela e, indiretamente, à Rússia e ao Irã.

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