Fotos que circulam na internet e foram verificadas pela BBC Verify mostram o que parece ser a destruição de uma aeronave de comando e controle dos Estados Unidos. A **aeronave E-3 Sentry**, conhecida por sua capacidade de vigilância, foi vista partida ao meio em uma base aérea na Arábia Saudita.
As imagens, inicialmente divulgadas por uma página de notícias militares nos EUA, foram confirmadas como sendo da **Base Aérea Príncipe Sultan**, localizada a aproximadamente 100 km a sudeste da capital saudita, Riad. Elementos visuais como postes e marcações no pavimento nas fotos correspondem a imagens de satélite do local.
O Comando Central dos EUA ainda não se pronunciou oficialmente sobre o incidente, mas a BBC solicitou um posicionamento. A destruição do E-3 Sentry representa um prejuízo financeiro significativo para os militares americanos, com estimativas de custo para a aeronave chegando a **US$ 270 milhões em 1998**, o que corrigido pela inflação seria cerca de **US$ 545 milhões**, ou R$ 2,8 bilhões.
O **E-3 Sentry**, também conhecido como AWACS (Airborne Warning and Control System), é uma aeronave crucial para as operações aéreas. Baseado no Boeing 707, ele possui um distintivo disco de radar giratório que permite detectar e rastrear alvos a longas distâncias, oferecendo **alerta antecipado de ameaças**. Segundo a Força Aérea dos EUA, o avião é fundamental para que comandantes mantenham o controle da batalha aérea.
O custo de operação, manutenção e aprimoramento de cada E-3 Sentry pode atingir quase **US$ 30 milhões por ano**, o equivalente a cerca de R$ 157 milhões. O valor por hora de voo também é expressivo, estimado em pelo menos **US$ 22.412**, aproximadamente R$ 117 mil.
A substituição de uma aeronave E-3 por um modelo mais moderno, como o E-7 Wedgetail, também da Boeing, pode custar cerca de **US$ 700 milhões**, ou R$ 3,6 bilhões. Atualmente, os EUA operam 16 unidades deste modelo, embora já tenham chegado a ter 31.
Informações divulgadas pela agência de notícias Fars, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, afirmam que um **drone Shahed iraniano** foi o responsável por atingir a aeronave E-3. Um funcionário dos EUA, em declaração à Reuters, informou que o ataque, ocorrido na sexta-feira (27/3), resultou em **12 militares americanos feridos**, dois deles em estado grave.
O jornal The Wall Street Journal também reportou que ao menos duas aeronaves de reabastecimento foram danificadas no mesmo incidente. Uma imagem de satélite de sexta-feira (27/3) mostra um incêndio em outra área da base, a cerca de 1.600 metros do local onde o E-3 foi visto destruído, mas não está claro se faz parte do mesmo ataque.
A BBC Verify conseguiu identificar o número de registro de uma das aeronaves E-3 nas imagens. Consultando o site Flightradar24, foi constatado que essa aeronave estava em voo próximo à base em 18 de março. Uma imagem de satélite de 11 de março também mostrava uma aeronave E-3 no local, embora não seja possível confirmar se é a mesma unidade danificada.
O primeiro E-3 entrou em operação em 1977 e a previsão é que permaneça em serviço na Força Aérea dos EUA até 2035. A destruição de uma dessas aeronaves representa não apenas um prejuízo financeiro, mas também uma perda de capacidade de vigilância e controle aéreo para as operações americanas na região.