O empresário Elon Musk, dono da rede social X (antigo Twitter), lançou uma série de ataques contundentes contra o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez. Musk rotulou Sánchez como “tirano”, “traidor do povo espanhol” e “fascista” em publicações na sua plataforma, chegando a usar o emoji de fezes ao lado do nome do político.
As críticas do bilionário surgiram após o anúncio de Sánchez sobre novas medidas para regular o ambiente digital na Espanha. O governo espanhol pretende proibir o acesso de menores de 16 anos às redes sociais e responsabilizar criminalmente executivos de empresas de tecnologia por conteúdos ilícitos veiculados em suas plataformas.
Essa postura de Sánchez não é isolada na Europa, onde cresce o debate sobre a necessidade de frear abusos e proteger os jovens online. Outros líderes e governos europeus também têm implementado ou discutido leis mais rigorosas para o setor. Conforme informações divulgadas pelo g1, o fundador do Telegram, Pavel Durov, também criticou as medidas de Sánchez, alertando para o risco de um “estado de vigilância”.
Em resposta às críticas, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, citou uma expressão popular espanhola, comparando os magnatas da tecnologia a “cães que ladram”, o que, segundo ele, indica que “estamos avançando”. A declaração faz alusão a um trecho do clássico literário “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, numa clara referência à sua visão sobre o poder excessivo da “tecnocracia”, como ele costuma se referir aos donos de grandes empresas de tecnologia.
Sánchez defendeu as novas regulamentações, afirmando que as redes sociais se tornaram um “Estado falido”, onde leis são ignoradas e crimes tolerados. Ele prometeu proteger os menores do “velho oeste digital” e enfatizou que a determinação de seu governo é maior que o poder e a influência das empresas de tecnologia, que ele considera mais ricas e poderosas que muitos países.
A Europa tem intensificado as ações para coibir abusos nas redes sociais e proteger a população, especialmente os jovens. Inspirada por iniciativas como a da Austrália, que já proíbe o acesso de menores de 16 anos a essas plataformas, a França e o Reino Unido, entre outros, também discutem leis semelhantes.
Recentemente, a polícia francesa realizou buscas na sede do X em Paris, investigando a disseminação de pornografia infantil e outros crimes. Além disso, o X foi forçado a desativar uma função de inteligência artificial que gerava imagens de nudez a partir de fotos reais, após forte repercussão internacional.
A Lei de Serviços Digitais da União Europeia também aumentou as exigências para as empresas de tecnologia, como X e Meta. Essas medidas europeias têm sido criticadas pelos Estados Unidos, sob a alegação de ataques à liberdade de expressão, um ponto de atrito crescente entre os aliados.
Não é a primeira vez que Musk e Sánchez entram em confronto. Anteriormente, o bilionário criticou a decisão do governo espanhol de regularizar centenas de milhares de imigrantes em situação irregular. Musk compartilhou um vídeo acusando Sánchez de aprovar a medida para “derrotar a direita radical”, insinuando uma estratégia política para obter votos.
A política de imigração da Espanha, que se mostra mais aberta em contraste com medidas restritivas em outros países europeus e nos EUA, tem gerado debates. A ministra espanhola Elma Saiz defendeu a regularização como uma resposta à realidade social e uma forma de “reconhecer, dignificar e oferecer garantias, oportunidades e direitos” aos imigrantes já presentes no país.
Em resposta à crítica de Musk sobre a imigração, Sánchez respondeu com a célebre frase: “Marte pode esperar. A humanidade, não”, em alusão aos planos de colonização espacial do empresário. A regularização, segundo especialistas, pode trazer benefícios econômicos a curto e médio prazo, como a formalização do emprego e o aumento da arrecadação pública, além de sustentabilidade ao sistema previdenciário.