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Neuralgia do Trigêmeo: O Sofrimento Invisível da Dor Mais Intensa Conhecida Pela Medicina

Imagine sentir como se uma chave de fenda estivesse perfurando seu rosto. Essa é a descrição de Gerwyn Tumelty, 52 anos, para a dor excruciante causada pela neuralgia do trigêmeo, condição frequentemente descrita como a mais dolorosa conhecida pela medicina. A intensidade da agonia o levou a ter pensamentos de desistir da vida, um desespero compartilhado por muitos que sofrem com essa doença.

A condição, que afeta o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade facial, pode ser desencadeada por estímulos mínimos como uma rajada de vento, uma simples refeição ou até mesmo ao escovar os dentes. A dificuldade de diagnóstico é um dos maiores obstáculos, com muitos pacientes, como Aneeta Prem, aguardando até sete anos para receberem o diagnóstico correto, enquanto os médicos muitas vezes descartam seus sintomas.

A BBC País de Gales trouxe à tona esses relatos chocantes, destacando a batalha diária dos pacientes contra uma dor que pode ser paralisante e isoladora. A neuralgia do trigêmeo não afeta apenas o corpo, mas também a saúde mental, levando a quadros de depressão e pensamentos suicidas, como revelam dados alarmantes da Trigeminal Neuralgia Association UK. Conforme informação divulgada pela BBC País de Gales, cerca de 33% dos pacientes já consideraram o suicídio, mas mais de 80% nunca buscaram ajuda.

Entendendo a Neuralgia do Trigêmeo e Seus Gatilhos

A neuralgia do trigêmeo surge quando um vaso sanguíneo comprime o nervo trigêmeo, localizado no crânio. Essa compressão interfere na transmissão de sinais de dor e tato do rosto para o cérebro. Os ataques, que podem durar de segundos a dois minutos, são caracterizados por dores agudas e lancinantes, comparadas a choques elétricos ou a uma perfuração facial.

A incidência da condição é estimada em cerca de 8 em cada 100 mil pessoas por ano no Reino Unido, segundo o National Institute for Health and Care Excellence (Nice). No Brasil, estima-se que haja cinco casos para cada 100 mil habitantes, afetando predominantemente pessoas acima dos 50 ou 60 anos, devido à degeneração dos vasos sanguíneos associada à idade. Mulheres também apresentam maior incidência, embora a razão ainda não seja clara cientificamente.

A Longa e Dolorosa Jornada em Busca de Diagnóstico e Alívio

O caminho até o diagnóstico da neuralgia do trigêmeo é frequentemente árduo. Aneeta Prem descreve sentir “raios” atravessando seu rosto, mas levou anos para ser diagnosticada. Ela relata que, por ouvir repetidamente que “não havia nada de errado”, parou de falar sobre seus sintomas. O diagnóstico só foi possível após uma consulta com um médico substituto que a encaminhou para exames adicionais.

Essa demora no diagnóstico pode levar a tratamentos equivocados, como no caso de Aneeta, que chegou a pensar em extrair um dente pensando ser dor de dente, correndo o risco de perder todos os dentes. A dificuldade em obter um diagnóstico preciso sublinha a necessidade de maior conscientização sobre a neuralgia do trigêmeo entre profissionais de saúde.

Tratamentos e a Luta pela Qualidade de Vida

O tratamento para a neuralgia do trigêmeo foca no controle das crises de dor. Medicamentos são a primeira linha de abordagem na maioria dos casos. No entanto, para situações mais graves, a cirurgia neurológica pode ser uma opção. Gerwyn Tumelty passou por um procedimento em 2019, onde um pequeno fragmento de osso foi removido para aliviar a pressão sobre o nervo trigêmeo.

A cirurgia, apesar de oferecer o alívio mais duradouro, apresenta riscos, incluindo dormência facial, perda auditiva e, em casos raros, AVC ou morte. Contudo, para Gerwyn, a cirurgia foi um sucesso, restaurando sua qualidade de vida. Ele, que chegou a pensar em não existir mais, encontrou forças em sua família e amigos, e transformou sua vida com um estilo de vida mais saudável, incluindo maratonas e trilhas, além de banhos de gelo diários para fortalecer a resiliência.

O Impacto na Saúde Mental e a Importância do Apoio

Apesar da melhora física, o impacto da neuralgia do trigêmeo na saúde mental pode persistir. Gerwyn Tumelty relatou ter voltado a ter pensamentos sombrios em 2022, mas desta vez, buscou ajuda e conversou com amigos, o que fez uma grande diferença. A abertura sobre seus sentimentos foi um ponto de virada em sua recuperação.

Aneeta Prem, agora diretora-executiva da Trigeminal Neuralgia Association, enfatiza a importância do diagnóstico precoce e do apoio. Ela destaca que o sistema de saúde no País de Gales possui uma equipe multidisciplinar eficaz no diagnóstico da neuralgia do trigêmeo, permitindo encaminhamento prioritário para o melhor atendimento. A dor crônica pode dominar a vida das pessoas, levando ao isolamento e à vergonha de falar sobre o sofrimento, reforçando a necessidade de redes de apoio e conscientização.

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