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Governo Trump em Xeque: A Virada na Resposta à Morte de Alex Pretti em Minneapolis

A morte do enfermeiro Alex Pretti, baleado por agentes federais do ICE em Minneapolis, forçou o governo Trump a uma notável mudança de estratégia. Inicialmente, a tática de negar acusações e atacar oponentes foi empregada, mas a rápida disseminação de vídeos do incidente expôs uma realidade contrastante com as narrativas oficiais.

Em menos de 24 horas, a opinião pública americana pôde testemunhar as imagens que contradiziam as alegações do governo. Essa exposição direta levou a uma reavaliação urgente da abordagem, com o governo e o próprio presidente Trump buscando culpar os democratas e minimizar o foco nas ações do enfermeiro falecido.

O cenário se intensificou em uma disputa política acirrada, com democratas aproveitando o episódio para criticar a política de deportação em massa e as táticas agressivas do ICE. A situação, descrita pelo vice-procurador-geral Todd Blanche como um “barril de pólvora”, carrega riscos significativos para ambos os lados e pode culminar em uma nova paralisação governamental.

A Estratégia Inicial: Culpar e Negar

A resposta inicial do governo Trump à morte de Alex Pretti foi retratá-lo como um “terrorista doméstico” com intenções violentas. A Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que Pretti queria “causar danos” e estava “empunhando” uma arma, alegações que foram subsequentemente refutadas por vídeos do incidente. O comandante da Patrulha da Fronteira, Gregory Bovino, sugeriu que Pretti desejava “massacrar policiais”.

Essa abordagem de “negar e atacar” é uma tática recorrente de Donald Trump para lidar com adversidades. No entanto, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, evitou repetir as declarações de Stephen Miller, principal conselheiro presidencial, sobre Pretti ser um “aspirante a assassino”, indicando uma mudança de tom e a promessa de uma investigação completa.

Essa mesma estratégia de retratar a vítima como ameaça já havia sido utilizada pelo governo Trump três semanas antes, no caso de Renee Good, outra moradora de Minneapolis morta por agentes federais. Naquela ocasião, as autoridades alegaram que Good usou seu veículo como arma, mas essa versão também foi contestada por autoridades locais, testemunhas e pela família da vítima.

A Verdade em Vídeo e o Desmentido Familiar

Os pais de Alex Pretti emitiram um comunicado no domingo (25/1), pedindo que a verdade viesse à tona e classificando as declarações do governo sobre seu filho como “mentiras repugnantes”, “repreensíveis e nojentas”. A análise de sete vídeos do confronto pelo BBC Verify confirmou que Pretti não portava uma arma no momento em que foi imobilizado no chão, contradizendo as afirmações do Departamento de Segurança Interna dos EUA (DHS).

O DHS alegou que Pretti possuía uma pistola semiautomática de 9 mm e dois carregadores. A polícia local informou que ele era proprietário legal de uma arma, e a legislação de Minnesota permite o porte legal de arma de fogo oculta para cidadãos autorizados. Contudo, as imagens em vídeo se tornaram cruciais para desmentir a narrativa inicial de confronto armado.

Repercussão e Mudança de Rumo

A dificuldade em sustentar a versão inicial levou a uma mudança perceptível no tom do governo Trump a partir de domingo à noite. O Secretário de Assuntos de Veteranos, Doug Collins, apresentou condolências à família Pretti. O próprio presidente publicou em sua rede social, Truth Social, chamando a morte de “trágica” e atribuindo o episódio ao “caos provocado pelos democratas”, linha seguida pelo vice-presidente JD Vance.

Em uma tentativa de demonstrar controle e uma abordagem mais ponderada, Trump anunciou o envio de Tom Homan, “czar da fronteira”, para liderar as forças de segurança no estado. Homan, com experiência em deportações durante a administração Obama, é visto como um operador mais comedido e politicamente sensível, contrastando com as declarações anteriores de Noem e Bovino.

A nomeação de Homan pode indicar uma mudança na apresentação da política migratória, buscando lidar com um humor público que, segundo pesquisas da CBS, desaprova as ações do ICE. A pesquisa revelou que 61% dos entrevistados consideram o ICE “duro demais”, e 58% desaprovam a política de imigração como um todo.

Ameaça de Paralisação e Riscos Políticos

O procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, vê a nomeação de Homan como uma possível abertura para o diálogo, embora ressalte que o governo federal adotou “posições injustificáveis”. Trump também anunciou uma “ligação muito boa” com o governador democrata de Minnesota, Tim Walz, indicando um possível esfriamento das tensões.

Apesar desses sinais de moderação, os democratas em Washington intensificaram a pressão. Senadores democratas anunciaram que bloquearão o financiamento adicional para o DHS, o que pode levar a uma paralisação parcial do governo. O senador Brian Schatz afirmou que votará contra qualquer financiamento para o DHS até que “controles adicionais sejam implementados para responsabilizar o ICE”.

A iniciativa democrata, no entanto, envolve riscos políticos. A experiência anterior de paralisação governamental, que não trouxe resultados expressivos, e a cautela em temas como imigração e segurança pública, onde registram desempenho fraco nas pesquisas, podem influenciar a estratégia democrata. O episódio de Minneapolis e a subsequente mudança na retórica de Trump colocam em jogo a percepção pública da política migratória, um tema central para o presidente e crucial para a eleição presidencial de 2024.

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