A Índia enfrenta um novo surto do vírus Nipah, um patógeno com alto índice de letalidade que tem causado preocupação em diversos países asiáticos desde sua descoberta em 1999. Autoridades de saúde colocaram cerca de 110 pessoas em quarentena no Estado de Bengala Ocidental, após dois profissionais de saúde serem tratados no início de janeiro por terem contraído a doença, após contato com casos confirmados.
O vírus Nipah pode provocar desde infecções respiratórias agudas até encefalite, uma grave inflamação do cérebro. Sua transmissão ocorre entre humanos e também a partir de animais como morcegos e porcos. Atualmente, não há vacina ou cura disponível, tornando o tratamento limitado a cuidados paliativos e controle dos sintomas.
A nova onda de infecções na Índia gerou alerta em países vizinhos, com alguns deles implementando reforço nas medidas de segurança em aeroportos para evitar a disseminação do vírus. Conforme informações reunidas pela BBC Thai, o Ministério da Saúde da Tailândia anunciou a adoção de protocolos de saúde e triagem em três aeroportos internacionais com voos originados de Bengala Ocidental.
Os aeroportos de Don Mueang, Suvarnabhumi e Phuket, na Tailândia, intensificaram as medidas de segurança. O aeroporto de Phuket, que recebe cinco voos semanais diretos da região afetada pelo surto na Índia, aumentou a limpeza de áreas comuns e a coordenação com postos de controle de doenças transmissíveis internacionais. No terminal de Suvarnabhumi, foram realizadas triagens em 332 passageiros provenientes da Índia, sem a identificação de casos suspeitos até o momento, conforme dados informados pelas autoridades locais. A Tailândia não registrou casos de infecção por Nipah até agora.
O vírus Nipah é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença zoonótica, o que significa que pode ser transmitido de animais para humanos. Morcegos frugívoros e porcos são os principais reservatórios conhecidos do vírus. A transmissão também pode ocorrer pelo consumo de alimentos contaminados, como frutas que tiveram contato com a saliva ou urina de morcegos infectados, e pelo contato direto com pessoas infectadas. Surtos da doença ocorrem periodicamente em partes da Ásia, com maior incidência em Bangladesh e na Índia.
As infecções por Nipah podem variar de assintomáticas a quadros graves, incluindo infecções respiratórias agudas e encefalite fatal. Os sintomas iniciais geralmente se manifestam como febre, dores de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Estes podem evoluir para tontura, sonolência, alteração da consciência e sinais neurológicos de encefalite aguda. Em casos mais severos, pode ocorrer pneumonia atípica e síndrome do desconforto respiratório agudo. A encefalite, inflamação do cérebro, pode levar a convulsões e coma em um período de 24 a 48 horas. O período de incubação pode variar de quatro a 14 dias, mas já foram relatados casos com até 45 dias. O vírus Nipah possui uma taxa de letalidade que pode chegar a 75% dos infectados.
O primeiro surto conhecido do vírus Nipah ocorreu na Malásia em 1999, resultando na morte de mais de 100 pessoas e no abate de um milhão de porcos para conter a disseminação. Singapura também registrou casos na época. Bangladesh tem sido o país mais afetado nas últimas décadas, com mais de 100 mortes registradas desde 2001. Na Índia, o estado de Kerala teve surtos em 2013 e 2018, controlados por meio de testes em larga escala e isolamento rigoroso. A OMS incluiu o Nipah, ao lado de Ebola, Zika e covid-19, em sua lista de doenças que requerem pesquisa prioritária devido ao seu potencial de causar uma epidemia global. Outros locais com risco de infecção incluem Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia, onde evidências do vírus foram encontradas em morcegos.