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México se destaca como principal beneficiário das tarifas de Trump, mas futuro do T-MEC gera incertezas

Em abril do ano passado, o presidente Donald Trump anunciou novas tarifas de importação, um movimento que reconfigurou o cenário comercial global. Enquanto muitos países foram impactados, México e Canadá, parceiros cruciais dos EUA, inicialmente pareciam ter evitado o pior.

A estratégia de Trump, contudo, acabou impulsionando o México. A proximidade geográfica, a indústria já desenvolvida e, principalmente, as isenções sob o Tratado México-Estados Unidos-Canadá (T-MEC) permitiram ao país não apenas manter, mas aumentar suas exportações para os EUA em quase 6%.

Esses resultados, destacados pelo The Wall Street Journal, posicionaram o México como um dos “ganhadores inesperados” da política tarifária americana. No entanto, declarações recentes de Trump sobre a relevância do T-MEC e a renegociação iminente do acordo lançam uma sombra de incerteza sobre o futuro comercial da região, conforme informações divulgadas por veículos de imprensa internacionais.

O T-MEC como Escudo contra as Tarifas

Erica York, analista do Centro de Política Federal de Impostos da Tax Foundation, explica que uma das maiores isenções às tarifas de Trump foi destinada aos produtos que atendem às exigências do T-MEC. Essa medida incentivou um aumento significativo nas transações dentro do acordo, como observado por York.

Mario Campa, especialista em política econômica da Universidade Columbia, corrobora essa visão, afirmando que, diante de tarifas crescentes, compradores nos EUA tendem a buscar os países com as menores alíquotas, beneficiando o México. O Modelo de Orçamento Penn Wharton (PWBM) da Universidade da Pensilvânia indica que produtos mexicanos pagaram uma tarifa efetiva de importação de 4,6% em outubro de 2025, significativamente menor que a de outros parceiros comerciais.

Em contraste, o Canadá, com uma tarifa efetiva de 3,9%, viu suas exportações para os EUA caírem 6,19% no ano passado, segundo o Departamento de Comércio americano. Já o México registrou um crescimento geral de 5,66%, com seis meses consecutivos de alta após o anúncio das tarifas, segundo dados oficiais mexicanos.

Setores Específicos e o Impacto nas Exportações

Apesar do desempenho geral positivo, o setor automotivo mexicano, um dos pilares da exportação, apresentou um crescimento modesto de apenas 0,9% em 2025. Isso ocorreu mesmo com negociações que isentaram componentes automotivos não fabricados nos EUA, ou seja, fora do T-MEC. Setores como aço e alumínio, que enfrentaram tarifas de 25%, registraram queda nas exportações.

O T-MEC, assinado em 2017, tornou-se um escudo protetor. Anteriormente, muitos exportadores optavam por pagar tarifas menores em vez de aderir às complexidades do acordo. Com o aumento das tarifas, a conveniência de operar sob as regras do T-MEC se tornou evidente. Em 2024, apenas 38% das importações americanas do México ocorriam sob o acordo, percentual que saltou para 86%-87% nos meses seguintes, segundo York.

Campa aponta que, à medida que estoques de produtos não perecíveis de outras regiões se esgotavam, fabricantes mexicanos conquistaram essa fatia de mercado. Ele sugere que o México está se consolidando como o principal parceiro comercial dos EUA, superando a China e o Canadá em volume de importações americanas.

A Prova de Fogo: Renegociação do T-MEC

Apesar do otimismo momentâneo, o futuro do T-MEC enfrenta um teste decisivo. Donald Trump declarou recentemente que o acordo lhe parece “irrelevante”, gerando apreensão sobre sua continuidade e sobre a renegociação marcada para este ano. Trump expressou o desejo de que a produção de automóveis retorne aos Estados Unidos, impactando diretamente as economias de México e Canadá.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, manifestou confiança na continuidade da relação comercial, destacando a profunda integração industrial entre os países, defendida também por empresários americanos. Enquanto isso, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, assinou novos acordos comerciais com a China, uma jogada que, segundo Campa, pode “romper um pouco essa narrativa” de um bloco comercial isolado da Ásia.

Campa prevê cenários variados para a renegociação do T-MEC, desde a renovação do acordo atual até a sua desintegração. Ele alerta que as negociações entre Canadá e China são um “mau sinal” para a sobrevivência do bloco. Caso o pior cenário se concretize, Campa recomenda que o México acelere planos alternativos para diversificar seu comércio, como o “Plano México” anunciado pela presidente Sheinbaum, explorando caminhos menos dependentes dos Estados Unidos.

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