O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a sofrer com crises de soluços na manhã desta terça-feira (30/12), um dia após ter sido submetido a procedimentos cirúrgicos para tentar conter o problema. A informação foi divulgada por seu filho, o vereador Carlos Bolsonaro (PL/RJ), que acompanhou o pai no hospital DF Star, em Brasília.
Carlos Bolsonaro compartilhou detalhes sobre o estado de saúde do pai nas redes sociais, informando que ele iniciou tratamento para apneia do sono e está em fase de adaptação. Sua flora digestiva apresenta boa evolução após as cirurgias de hérnia realizadas no último dia 25, e a pressão arterial segue sendo monitorada.
No entanto, os soluços, que já vinham afetando o ex-presidente, retornaram nesta manhã, apesar das duas intervenções cirúrgicas. Os níveis de ferro no sangue também continuam sob controle devido à sua ineficiência, conforme relatado por Carlos. Conforme a equipe médica, a previsão de alta é para o dia 1º de janeiro, caso a evolução continue positiva. A informação foi divulgada pela BBC News Brasil.
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi submetido a duas cirurgias recentes para tratar as crises de soluços, que o afligem com frequência. No sábado (27/12), foi realizado um primeiro procedimento de bloqueio do nervo frênico, responsável pelo controle do diafragma, utilizando anestesia para bloquear o nervo direito. Dois dias depois, o mesmo procedimento foi aplicado no nervo frênico esquerdo.
Essas intervenções somam a décima cirurgia na vida de Bolsonaro desde que sofreu a facada durante a campanha eleitoral de 2018. Adicionalmente, na quinta-feira (25/12), ele passou por uma cirurgia para corrigir hérnias na região da virilha. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) havia informado que o procedimento para as hérnias foi bem-sucedido.
O cardiologista Brasil Ramos Caiado, um dos médicos que atende o ex-presidente, explicou aos jornalistas na segunda-feira (29/12) que os soluços persistentes são quadros raros, geralmente decorrentes de outras condições médicas, como pós-cirurgias abdominais e problemas gastrointestinais, que o ex-presidente enfrenta.
A necessidade das cirurgias foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do processo em que Bolsonaro foi condenado. A internação ocorreu após um laudo da Polícia Federal recomendar as intervenções. Moraes determinou um esquema de segurança rigoroso para a internação, permitindo inicialmente apenas a visita de Michelle Bolsonaro, mas posteriormente autorizando a presença dos filhos.
As cirurgias ocorreram no Hospital DF Star. A PF elaborou um laudo indicando a presença de hérnias inguinais bilaterais em Bolsonaro. Apesar de existir a possibilidade de tratamento não operatório, os peritos da PF e a equipe médica recomendam a intervenção cirúrgica para evitar complicações.
Ao receber alta, Bolsonaro deverá retornar à carceragem da Polícia Federal, onde cumpre pena de 27 anos por crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito, alegações que ele nega.
Mesmo preso, Jair Bolsonaro continua sendo uma figura central na direita brasileira, o que torna seu estado de saúde um ponto de atenção para políticos e apoiadores. Sua internação tem gerado manifestações políticas e discussões sobre o cenário eleitoral de 2026.
Familiares e apoiadores têm se manifestado em solidariedade, aproveitando o momento para articular estratégias para as próximas eleições. Na véspera de Natal, Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo pedindo orações pelo marido e pela nação, e mencionando a importância de 2026 para o país.
Desde a prisão de Bolsonaro, Michelle tem buscado consolidar seu papel como articuladora política, enfrentando, por vezes, divergências públicas com os filhos do ex-presidente. Ela chegou a afirmar publicamente que não falava com Carlos Bolsonaro.
Uma das manifestações políticas mais significativas ocorreu quando Flávio Bolsonaro leu uma carta supostamente escrita e assinada por seu pai, declarando apoio formal à sua pré-candidatura à presidência em 2026. O texto, lido em frente ao hospital, enfatiza as batalhas enfrentadas e o preço pago por Bolsonaro para defender suas convicções.
O anúncio de Flávio gerou repercussão e críticas de aliados, como o pastor Silas Malafaia, que questionou a estratégia de comunicação e articulação. A declaração também movimentou outros nomes da direita, que esperavam um apoio de Bolsonaro ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Contudo, Tarcísio declarou apoio à candidatura de Flávio e estuda a possibilidade de concorrer à reeleição em São Paulo.